sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Colégio José Ferreira trouxe novamente nesta semana, mais 100 alunos para conhecer o Arquivo Público


Em 15 de setembro de 2017, o Colégio José Ferreira trouxe novamente para conhecer a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba, mais 100 estudantes do Colégio José Ferreira do 1º e 2º anos do Ensino Fundamenta


Eles foram recebidos pelos educadores Luiz Henrique Cellulari e Luzia Rocha, que explanaram sobre a necessidade e importância dos documentos históricos como referenciais da memória e da história de uma comunidade.

Os estudantes conheceram o trabalho desenvolvimento na instituição e tiveram aprendizados práticos sobre como eram os conhecimentos, técnicas e saberes de outras épocas no mundo do trabalho e da produção.



Eles apreciaram também o prédio do Arquivo Público, uma antiga estação da década de 1940 e conheceram como hoje é realizado o transporte ferroviário. 


Veja como foram os momentos:










quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Alunos do Colégio José Ferreira visitam o Arquivo Público

Cem alunos do primeiro e segundo anos do Colégio José Ferreira visitaram o Arquivo Público de Uberaba no dia 13 de setembro de 2017.


A Instituição recebe os estudantes nesta idade escolar com objetivo de incrementar valores sobre os aspectos relevantes da vida em sociedade, como reconhecer a importância da preservação da documentação histórica.


Foram tantos alunos que os professores do Arquivo se revezaram para atendê-los. Assim, enquanto alguns se reuniram na sala de projeção para conhecer a história de Uberaba, outros esperaram na plataforma da antiga estação da Mogiana.

Professora Luzia Rocha na sala de projeção com outra turma do Colégio

Além participarem da aula sobre a cidade, tiveram contato com documentos do século XIX e receberam orientação sobre os cuidados necessários para ler inventários, jornais, títulos eleitorais e processo judiciais.


Alunos do Colégio lendo processos e inventários do século XIX


Alunos olhando nos desenhos o desenvolvimento do arraial, vila e cidade de Uberaba

Na plataforma da antiga estrada de ferro, onde atualmente se localiza
o Arquivo Público, com a diretora da Instituição


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Toinzinho, a lenda do Uberaba Sport que substituiu Pelé no Santos





Crescido no bairro Boa Vista, Toinzinho tomou os primeiros contatos com a bola nos campinhos de várzea de sua vizinhança, que eram muitos naquela época. Em pouco tempo despertou a atenção da comissão técnica do Uberaba Sport, para onde passou a jogar nos juniores. Logo se profissionalizou, chegando a atuar nos principais times do País: Santos, Palmeiras, Internacional de Limeira/SP e Bahia.


Sua carreira foi marcada por uma lenda: teria sido substituto de Pelé?



Em 1974, quando Pelé, se transferiu para o N.Y. Cosmos, dos Estados Unidos, Toinzinho teve o seu passe adquirido pelo Santos F.C. Como parte da negociação, Uberaba Sport e o Santos F.C. realizaram uma partida amistosa onde Toinzinho vestiu a camisa das duas equipes, jogando um tempo em cada time.

Com isso, circulou nos meios esportivos da cidade a "lenda" de que teria sido escolhido para ocupar o lugar do Pelé.

Essa coincidência, para ele, teria sido sorte ou azar?


Toinzinho teve uma carreira brilhante e se destacou em todos os clubes onde passou. Atualmente vive com a sua família e ainda mantém aceso o seu prestígio com os amigos e os antigos torcedores do USC.


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Participantes do CRAS visitam o Arquivo Público de Uberaba


Psicóloga e participantes do CRAS do bairro Chica Ferreira (CENTRO DE REFERÊNCIA DO ASSISTÊNCIA SOCIAL), visitaram hoje, dia 11 de setembro, a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba, com a finalidade de conhecer as atividades desenvolvidas pela Instituição. Na ocasião receberam informações sobre aspectos históricos relevantes do município de Uberaba.
Psicóloga e participantes do CRAS em visita ao Arquivo Público de Uberaba


Professor de história Luiz Henrique recebe os participantes do CRAS


Acompanhados do servidor do Arquivo, tiveram contato com documentos históricos e jornais do começo do século XX. Conheceram também o armário deslizante, típico de arquivos públicos e bibliotecas, onde estão guardados aproximadamente 70 mil fotos de Uberaba.



Participantes do CRAS em frente a um exemplar do Gazeta de Uberaba de 1938


A visita serviu para estimular a curiosidade e busca de informações sobre a cidade que nos acolhe, bem como compreender a importância de se preservar a documentação histórica.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Uberaba Sport Club - Uma história de paixão pelo futebol uberabense


Por Luiz Henrique Cellulari - Historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

          
O Uberaba Sport Club, paixão dos uberabenses durante várias gerações, será retratado pelo Arquivo Público de Uberaba em comemoração ao seu centenário.

Em pesquisa minuciosa, realizada por historiadores, no acervo da Instituição, foram constatadas curiosidades que poderão encher ainda mais os brios do aficionados torcedores alvirrubros.


No começo de sua trajetória histórica, em 1917, a manutenção da equipe, principal apreensão dos dirigentes até hoje, dependia da cooperação das mulheres torcedoras que conseguiam dinheiro através da comercialização de doces, bolos e artesanatos em barraquinhas que eram montadas na praça Comendador Quintino, durante os festejos de Nossa Senhora da Abadia. Há registros fotográficos do trabalho delas. Assim nasceu o USC.

Quermesse na Praça Comendador Quintino. 1917
Foto: Via Lactea Anno I nº 1. 1º outubro de 1917, p.11
Acervo da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

Primeiro time do Uberaba Sport em 1917 no antigo campo da Santa Casa de Misericórdia
Fernando Krüger é o primeiro à direita, de chapéu e Cantidiano de Almeida,
o primeiro à esquerda Foto: LAVOURA, 6 de janeiro de 1983, p.7



Antigo Estádio do Uberaba Sport Club, Dr. Boulanger Pucci, em 1922,
durante a partida inaugural contra o Paulistano
Foto: Acervo Família Machado Borges


Outra curiosidade histórica é que aqui desfilaram os principais jogadores do Brasil, como: Leônidas da Silva, inventor de uma jogada conhecida como "bicicleta"; Garrincha, o anjo das pernas tortas; Didi, apelidado de Folha Seca (apelido recebido devido aos seus chutes indefensáveis de fora da área, decorrente do efeito tomado pela bola, parecido como o movimento de uma folha seca). Pelé também esteve por aqui e deixou inquieta a imprensa esportiva em 1974, pois acreditavam que o jovem Toinzinho, revelado nas categorias de base do USC, teria sido contratado pelo Santos FC no mesmo período da transferência da "fera" para o Cosmos, dos Estados Unidos, visando substituí-lo. Esse fato foi desmentindo por ele mesmo. Em uma partida realizada no final do mesmo ano, entre as duas equipes, como parte da negociação, Toinzinho jogou o primeiro tempo pelo Uberaba Sport e o segundo pelo Santos Futebol Clube. O Fluminense também fez desfilar os seus "cobras" no gramado do USC. Na ocasião, os dirigentes do tricolor carioca homenagearam as mulheres uberabenses, oferecendo simbolicamente uma cesta de flores à madrinha do clube, contendo no interior uma porção de pó de arroz. 

Emilinha Borba dando chute inicial numa partida do USC, em 1948 Foto: LAVOURA, 15 de julho de 1989, p. 4

Leônidas da Silva em Uberaba
Diamante Negro Foto: LAVOURA, 16 de julho de 1945. p4

Garrincha concedendo entrevista a Pascoal Valicente da Rádio PRE-5 Foto: LAVOURA, 20 de agosto de 1958, p.5


Geralmente, quando os grandes clubes aportavam por aqui, como foi o caso do Flamengo, em 1955, uma passeata acompanhava a chegada dos craques, do aeroporto até o Grande Hotel, onde ficavam hospedados. A multidão se aglomerava na avenida Leopoldino de Oliveira até o ponto de o policiamento fechar o rua para o trânsito de veículos. Era uma festa.

USC.03 de março de 1974
Em pé: Veram, Toinzinho, Naim, Pablinho, Plínio, Dr. Hadel, Modesto, Otávio Shimaru (Diretor). Agachados: Aldair (Massagista), Toninho Campos, Zé Francisco, Pelé, Fabinho, Saraiva e Elter
Foto acervo Estádio Engenheiro João Guido


Partidas memoráveis, jogadores incríveis, times revelados pela base do USC, todos uberabenses. Isso faz parte da história.

Publicar em livro todas as conquistas do Uberaba Sport é reviver o passado glorioso em busca de soluções para o futuro, a fim de que se mantenha a grandiosidade do alvirrubro que paira adormecido como uma bolha, sobre a cidade de Uberaba, prestes a acordar e explodir de emoção.

USC em 1978
Em pé: Aldair Martins (Massagista), Diron, Shell, Figueroa, Tim, Celso Roberto, Luiz Felipe.
Agachados: Ilton, Luiz Carlos (Bica), Jair, Waender e Silson 
Foto acervo Estádio Engenheiro João Guido

Foto da equipe campeã do Módulo 2 do Campeonato Mineiro Foto Acervo USC
Torcida comemora o título do Módulo II do Mineiro Foto Jairo Chagas - JORNAL DA MANHÃ, 15 de julho de 2003, p. 7

Comemorações do dia 07 de Setembro em notícias do Jornal Lavoura e Comércio


Este momento marcou profundamente a vida nacional, com destaques as publicações dos jornais dos anos da ascensão e queda da Era Vargas, em especial, o ano de 1934 que iria promulgar uma nova Constituição e ao período do Estado Novo, quando o Brasil se une aos Aliados contra as potências do Eixo e o Nazifascimo. No contexto da redemocratização, as comemorações da Independência passaram por outra ocasião de profunda crise para com os desígnios do Brasil, o ano de 1954, pois aquele 07 de Setembro se deu dias após o suicídio do Presidente Getúlio Vargas.


Pesquisa e legendas: Thiago Riccioppo - Mestre em História pela UFU; Historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e Gerente Executivo da Fundação Museu do Zebu.

Clique aqui para baixar o texto em PDF: Comemorações Do 7 de Setembro Em Uberaba

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Superintendência do Arquivo Público de Uberaba recebe alunos no projeto Ações Educativas


No dia 29 de agosto, cerca de 60 estudantes de Escola Estadual Santa Terezinha foram recebidos pela professora Luzia de Fátima Rocha em mais uma ação do Projeto Ações Educativas.

Na ocasião, a professora Luzia de Fátima Rocha explanou aos jovens a importância e papel do Arquivo Público na salvaguarda e preservação de documentos. Eles percorreram as dependências da instituição, conhecendo o que faz cada departamento, onde tiveram contatos com a documentação e puderam saber de sua importância para a história e a memória de Uberaba e do Triângulo Mineiro.





quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Outras igrejas, abandono e urbanização levaram à derrubada da Igreja do Rosário em 1924

Por Luiz Alberto Molinar


A Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Uberaba foi derrubada, em 1924, por não haver manutenção por parte da Cúria Metropolitana. Estava em ruínas. Uma restauração seria dispendiosa. A demolição ocorreu a pedido do então agente executivo (prefeito à época),o progressista Leopoldino de Oliveira (Coligação Uberabense), também deputado federal no período. Nos últimos anos de sua existência, se realizava na igreja somente a comemoração do Dia da Abolição, o 13 de Maio, relatou o memorialista e religioso católico Carlos Pedroso. 


Escadaria de acesso à Igreja do Rosário, fundada em 1841 e derrubada em 1924      

Era usual, durante o Império, ao se iniciar um vilarejo a construção de duas igrejas: uma para brancos e outra para negros. Portanto, a principal foi erguida no Largo da Matriz, a pç. Rui Barbosa na atualidade, onde surgiu o primeiro povoamento do lugar e se concentrou comércio, prestadores de serviço e moradias. 
Parte da visita traseira da Igreja Nossa Senhora do Rosário em Uberaba. Fonte: CAPRI, Roberto. Álbum Uberaba a Princesa do Sertão, 1916.

As ruas Coronel Manoel Borges e Vigário Silva, que eram a mesma via e conhecidas como rua Grande por se iniciarem próximo da av. Deputado Marcus Cherém e ir até a av. Alexandre Barbosa. A r. do Commercio, hoje Artur Machado, existia, por volta de 1880, até seu terceiro quarteirão. Dali em diante era deserto.

Foto do final do século 19, do alto do Morro da Onça, autoria de José Severino Soares  

A “Igreja dos Pretos” localizava-se três quadras à frente em área afastada do burburinho da vila. Sua construção realizou-se com mão-de-obra escrava, como era comum em relação aos santuários de devoção de negros, aberta em 1841. Era no Alto do Rosário, agora bairro Estados Unidos, no Largo do Rosário, atualmente av. Presidente Vargas, no meio do morro, com sua frente direcionada para o então final da r. do Commercio.


Santa Rita, São Domingos e Mogiana “ajudaram” a derrubar Rosário
Com o surgimento da Igreja Santa Rita em 1854, a três quarteirões da do Rosário, e da São Domingos 50 anos depois, a duas quadras, o santuário do povo negro foi perdendo frequentadores. Por isso, a Cúria deixou de mantê-lo, provocando sua decadência. 
O início da operação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro em Uberaba a partir de 1889, com a estação instalada no alto da r. do Commercio, provocou a urbanização no entorno da Igreja do Rosário, que se encontrava em ruínas. Consequentemente, o então “prefeito” Leopoldino de Oliveira se viu obrigado a propor a demolição do templo. A via, portanto, passou a ter passeios largos. Em meados do século 20, uma ilha foi construída com jardim e palmeiras imperiais. Desde 2006 há no local monumento de reverência a Zumbi dos Palmares, importante líder negro abolicionista.

Imigrantes sírios e libaneses ajudaram a erguer a Igreja São Benedito
As comunidades síria e libanesa, nos anos 1930 e 1940, concentravam suas atividades comerciais no bairro Estados Unidos, na r. Padre Zeferino, desde seu início até a r. Artur Machado. Era conhecida como a “Rua dos Turcos”. 
Por utilizarem, praticamente, somente o idioma árabe, esses imigrantes se fecharam e havia dificuldade em se relacionar com a sociedade. Além disso, sírios e libaneses eram falados na cidade por moças: elas tinham medo deles. Diziam que presenteavam suas namoradas e esposas com joias caras, mas que batiam nelas, revelou o memorialista Pedroso.
Como forma de romper o isolamento, propuseram à Cúria Metropolitana ajudar a edificar a Igreja São Benedito, outro santo de devoção por povos de descendência africana. Seria uma forma de compensar a demolição da igreja do Rosário. A pç. da Bandeira, que depois denominou-se Dr. Jorge Frange, foi o local escolhido. A inauguração se deu em 1961, 34 anos após a derrubada da do Rosário. Nova basílica foi implantada no local em 1978, em formato circular, em substituição à primeira que tinha arquitetura tradicional.
O bairro, que passaria a levar o nome da igreja, já era reduto das duas nacionalidades e de seus descendentes. Até então a região era conhecida por Colina da Matriz. No local também estava instalada, na r. Major Eustáquio, desde 1927, a Sociedade Sírio Libanesa, que passaria, nos anos de 1990, a denominar-se Clube Sírio-libanês.


*Luiz Alberto Molinar é jornalista e coautor da biografia Lucilia – Rosa Vermelha.
  



terça-feira, 29 de agosto de 2017

Artigo: DA PRESERVAÇÃO DIGITAL AO ACESSO À INFORMAÇÃO: uma breve revisão


Por Daniel Flores e Henrique Machado dos Santos* 

Resumo: O constante aumento de documentos digitais vem impulsionando as práticas de preservação em longo prazo. No entanto, a literatura técnica concentra-se em preservar a autenticidade dos registros, e por vezes, há pouco aprofundamento no que se refere a proporcionar condições de acesso aos usuários. Assim, realiza-se uma análise sobre as estratégias de preservação digital com ênfase na perspectiva de acesso aos usuários. O método utilizado consiste no levantamento bibliográfico de materiais previamente publicados, dentre estes: livros, teses, dissertações e artigos científicos recuperados pela ferramenta de pesquisa Google Scholar. Desta forma, obtém-se uma revisão dos métodos de preservação digital que realça sua aplicabilidade e aponta as dificuldades de acesso pertinentes ao usuário.

Palavras-chave: Acesso à informação; Documentos digitais; Preservação digital; Usuário






* Henrique Machado dos Santos - mestrando do Programa de Pós-Graduação Profissional em Patrimônio Cultural da UFSM e integrante dos grupos de pesquisa CNPq-UFSM: Gestão Eletrônica de Documentos Arquivísticos (GED/A) e Patrimônio Documental Arquivístico (PDA). 

* Daniel Flores - Doutor pela Doutor em Documentação pela USal, concluiu o Doutorado em "Metodologías y Líneas de Investigación en Biblioteconomía y Documentación" - Universidad de Salamanca/España.  Docente do Curso de Arquivologia da UFSM. Docente do Mestrado Prof. em Patrimônio Cultural/UFSM Lider do Grupo de Pesquisa CNPQ: Patrimônio Documental Arquivístico Lider do Grupo de Pesquisa CNPQ: GED-Gestão Eletrônica de Documentos Arquivísticos Coordenador do Laboratório de Documentos Digitais/LDD e de Preservação Digital/LPD/CCSH Membro Presencial da CTDE - Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do CONARQ.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

1906: Discussões sobre o Convênio de Taubaté em Uberaba


Convênio de Taubaté de 1906 foi firmado um acordo pelo Governo Federal para proteger a produção brasileira de café, que passava por um momento crítico, de preços baixos e prevendo a colheita de uma safra recorde.

            Ocorre que a demanda pelo produto no exterior permanecia estável, nessa época. Contudo, a produção no Brasil aumentava, motivada pela disseminação, desde o século XIX, da ideia de que o café era tão rentável quanto o ouro. Assim, apesar das exportações manterem-se intocáveis, muitos fazendeiros ainda invertiam capitais na plantação dos arbustos de café em suas fazendas.

            Isso provocou uma queda vertiginosa do preço do produto no exterior devido à superprodução. Para evitar uma queda ainda maior, o Governo resolveu intervir, adquirindo sacas de café, acreditando que o mercado fosse se estabilizar. Apesar disso, a produção aumentava e mais sacas eram armazenadas. Mesmo não tendo o seu produto exportado (comercializado), os cafeicultores recebiam normalmente por cada saca produzida em sua lavoura.

            Para pagar o excedente armazenado, o governo recorria a empréstimos no exterior. A dívida externa provocada por essa situação era coberta por meio do aumento do custo de vida e da inflação. Com isso, a população pagava aos agricultores por um produto que seria queimado. Nessa época, dominava no Brasil a política do café com leite, no qual políticos de São Paulo e de Minas Gerais se revezavam no poder do Governo Federal. Portanto, uma crise regional acabou se tornando uma crise nacional.

            Essa situação durou até o ano de 1930, quando Vargas assumiu o poder e pôs fim à política que engendrou o Convênio de Taubaté. Isso criou um conflito com o Estado de São Paulo, que desejava manter os empréstimos com os bancos estrangeiros, para saldar as dívidas com a superprodução cafeeira, motivando a Revolução Constitucionalista em 1932.

            O Convênio de Taubaté foi firmado em 1906 e a Câmara Municipal de Uberaba, através dos políticos afiliados ao PRM, aprovaram a decisão do governo federal, numa prova de que mantinha-se fiel à política do café com leite.


              Em debates realizados na Câmara Municipal de Uberaba foi discutido a aprovação do Convênio de Taubaté, mostrando o alinhamento da política local com o grande acordo nacional firmado em torno das oligarquias brasileiras.


Confira abaixo, a íntegra transcrita de toda essa discussão:  


ATA DA CÂMARA DE 9 DE MAIO DE 1906
A Câmara de Uberaba aprova o Convênio de Taubaté

Sessão: ordinária

Aos sete dias do mez de maio de mil novecentos e seis, na sala das deliberações da Câmara Municipal, a hora regimental, verificou-se o comparecimento dos vereadores senhores Manoel Terra, Gustavo Ribeiro, Manoel Caldeira Junior, Doutor Thomaz Pimentel de Ulhoa, Delcides de Carvalho, Monsenhor Ignácio Xavier, Militino Pinto de Carvalho, Arthur Machado, Herculano Velloso, João da Silva Prata e Manoel Borges de Araújo, faltando com causa justificada o vereador Luiz de Oliveira Ferreira. Foi aberta a sessão, lida e approvada a acta da sessão anterior, occupando o logar de secretário, interinamente, o vereador Gustavo Ribeiro.

Expediente

Constou do seguinte: Uma proposta assignada pelo cidadão Antonio Ribeiro no qual se offerece ao abastecimento de carnes verdes a população d'esta cidade, mediante contracto com a Câmara, compromettendo-se a fornecer carne vinte e cinco por cento por menos dos preços actuaes e a abater somente bois.


A Comissão de Leis.

Uma Communicação assignada pelo cidadão Armando Velloso de Queiroz fazendo sciente à Câmara que o caminho desta cidade que vae ao Garimpo das Alagoas, no ponto denominado Lemes, acha se intransitável e pede providências à respeito. A Commissão de Finanças.
Indicação apresentada pelo vereador Gustavo Ribeiro nos seguintes termos: Projecto de lei nº ... Que auctoriza o Agente Executivo Municipal a venda, em hasta pública, o próprio municipal onde funcionava o Instituto Zootechinco. O povo do municipio de Uberaba, por seus vereadores, votou e eu, em seu nome, promulgo e faço executar a seguinte lei: Artigo 1º - Fica o agente executivo municipal auctorizado a vender em hasta pública, nunca, porém, por menos de 20:000$000 e a quem mais der o próprio municipal onde funccionou o Instituto Zootéchnico. Artigo 2º O produto da venda será exclusivamente applicado à amortização da dívida passiva municipal. Artigo 3º Revogam-se as disposições em contrário. Sala das sessões da Câmara Municipal de Uberaba, 7 de maio de 1906. Gustavo Ribeiro. Às Commissões de Leis e Finanças. Uma indicação assignada pelo vereador João da Silva Prata para que seja auctorizado o agente executivo municipal a mandar proceder estudos e abastecer o povoado de Conceição das Alagoas, de água potável e por meio de aríetes ou carneiros hydraulicos, visto que, embora já tinha sido approvado, há tempos, o serviço por meio de rego e e até já existir contracto com pessoas competentes para a realização do mesmo, até esta data não foi elle iniciado, pedindo urgência sobre essa deliberação visto que a população sofre necessidade do precioso elemento em sua justa reclamação. A Commissão de Finanças.

Indicação remettida à mesa e assignada pelos vereadores Gustavo Ribeiro e Arthur Machado, nos seguintes termos: Indicamos que, por intermédio do senhor presidente da Câmara Municipal, seja dirigida ao exmo. senhor Dr. Presidente do Estado uma representação mostrando a inadiável conveniência de ser Uberaba sede de um dos batalhões policiais que o Governo projecta crear, senão, de novamente, transferir o 2º corpo que já aqui estacionou, o que assaz, se justifica pela necessidade de policiamento de uma zona vasta como o Triângulo e de uma cidade importante como Uberaba, que se acham sem quem quasi os defendam na vida e na propriedade e que o senhor Presidente da Câmara, para melhor êxito n'esse pertinente, se dirija sobre o mesmo fim aos dignos membros da nossa representação na Câmara Federal para que egualmente nos auxiliem na obtenção de tão justa e urgente medida administrativa. Sala das deliberações da Câmara, 7 de maio de 1906, Gustavo Ribeiro, Arthur Machado.

Acto contínuo foi esta indicação sujeita à discussão e votação, sendo, sem debate, unanimemente approvada, [tendo o senhor presidente, em comprimento à approvação da mesma, convertido o assumpto em telegrama e transmitido ao coronel João Quintino e, em egual theor, às redacções do Paiz e Jornal do Commercio.

Em seguida, pedio a palavra o vereador monsenhor Ignácio Xavier e lembrando à casa achar-se bastante enfermo o illustre vereador e secretário da Câmara Luiz de Oliveira Ferreira, indicou para que fosse nomeada uma Commissão para visitar o mesmo vereador. Acto contínuo, o senhor presidente nomeou para aquelle fim os vereadores Monsenhor Ignácio e Gustavo Ribeiro.

Usou também da palavra o vereador Gustavo Ribeiro e disse que, cumprindo um dever, vinha provocar da parte d'esta illustre corporação uma das questões de maior gravidade que se passa actualmente no Paiz, e referindo-se ao Convênio de Taubaté, fez um bello discurso no qual, depois de largas considerações, fez ver que as Câmaras Municipais não devem ficar indiferentes a isso por se tratar de assumpto que muito se prende a lavoura, apresentou e leu a seguinte indicação: "A Câmara Municipal de Uberaba, compenetrada de seus deveres; certa de que urge, agora, que começam os trabalhos legislativos do Congresso Nacional, tomar conhecida a vontade da nação sobre a sua magna questão economica, objetto digno de estudo e de máxima detenção, principalmente no actual momento histórico da dita sua questão economica; sendo da maior significação que essa vontade se manifeste pelos canais competentes, o que, incontestavelmente é o pronunciamento por meio das Câmaras Municipaes que, mais em contacto com o povo, também mais directa e positivamente poderá tradusir seu pensamento para dar cumprimento a tão grande como sagrado dever, por intermédio de seu directo representante na Câmara dos senhores deputados federais, e exmo. senhor coronel João Quintério Teixeira, para que, por sua vez, se digne transmittir aos seus illustres companheiros de bancada, que a Câmara Municipal de Uberaba, tendo tomado conhecimento do plano economico e da reorganização financeira de nossa lavoura, contidos no que se accordou chamar Convênio de Taubaté- O acceita em sua integridade, fazendo votos pela sua approvação pelos altos poderes legislativos da nação, a fim de que elles, como devem, forneçam à lavoura os meios de se salvar da ruina que o ameaça, ella que é a base exclusiva da nossa riquesa pública, e, portanto, a única indústria que dá ao Brasil os meios de viver independentemente e pertencer ao convivio das nações civilizadas. Sala das deliberações da Câmara Municipal, 7 de Maio de 1906, Gustavo Ribeiro.

Acto contínio, o senhor presidente poz em discussão esta indicação e, não havendo quem sobre a mesma pedisse a palavra, submetteu-a a votação, sendo approvada contra os votos dos vereadores Monsenhor Ignácio Xavier, Delcides de Carvalho e Manoel Caldeira Júnior. Pedio também a palavra o vereador Militino Pinto de Carvalho e disse que já era tempo de tratar-se de embellesar a nossa cidade e que os senhores proprietários são por enquanto os únicos que nos podem auxiliar, já com as construcções novas e já com as reconstruções, e, citando exemplos de outras cidades, terminou apresentanto o seguinte projecto de lei: Regula o typo de construções civis urbanos e suburbanas desta cidade. Artigo 1º Ficam terminantemente prohibidas as construções particulares na área urbana e suburbana da cidade, sem que obedeçam a um typo estabelecido pela secção de Obras públicas da Câmara. Artigo 2º Para a effectividade e regularidade da medida proposta no artigo 1º, o senhor agente executivo municipal mandará organizar typos diversos de contrucções, tendo em vista a elegância dos prédios, conforme as praças e ruas nos quais forem construídos. Artigo 3º. Nas reconstrucções dos prédios existentes na cidade serão observados as disposições d'esta lei, após a sua sancção. Artigo 4º. O senhor agente executivo, dentro da verba - obras públicas - tirará os necessários recursos para occorrer as despesas com a organização das plantas que serão feitas por pessoa competente n'esta matéria. Artigo 5º. Ao pedido de licença para construções ou reconstrucções deverá acompanhar uma planta da nova obra de accordo com as exigências dos typos de prédios organizados pela Câmara Municipal de Uberaba, 7 de Maio de 1906, Militino Pinto.


A Commissão de Obras Públicas


Nada mais havendo a tratar-se e nenhum vereador pedindo mais a palavra o senhor presidente encerrou os trabalhos por hoje e convidou os vereadores presentes a comparecerem amanhã, à hora regimental. Para constar lavrei a presente acta que, depois de lida e approvada será assignada. Eu, Justino de Carvalho, director da secretaria, a escrevi. Eu, Gustavo Ribeiro, secretário interino, a subscervi e assigno.

Addendo: Nas linhas 21, 22,23 e 24 da página 51 ficão sem effeitos os dizeres que estão escriptos dentro da chave [...]
Na linha 17º da página 51 verso, onde diz: " Não havendo quem sobre a mesma, etc. deve-se acrescentar:- Pedio a palavra o vereador Monsenhor Ignácio Xavier e disse que não apoiando elle o Convênio de Taubaté, por não achar n'elle vantagem alguma para o paiz, votava contra a indicação. Finda a discussão, o senhor presidente a submeteu à votação, sendo approvada contra os votos dos vereadores Monsenhor Ignácio Xavier, Caldeira Júnior e Delcides de Carvalho.

Acto contínuo, o senhor presidente em cumprimento a referida approvação, converteu o assumpto da dita indicação em telegramma e trasmittio-o ao Coronel João João Limirio e, em egual theor, às redações do Paiz e Jornal do Commercio. (Continua na linha 20 da folha 51 verso).


Secretário:    Gustavo Ribeiro
Livro: 5         Páginas   51 v  a  52


Pesquisa, transcrição de fontes e resenha introdutória: Luiz Henrique Cellulare, historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba


Documentos originais: