quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bandeira de Uberaba

O “Escudo do Município” foi criado, em 1928, pelo Presidente da Câmara e Agente Executivo, Dr. Olavo Rodrigues da Cunha, e o autor foi Dr. Afonso D’Escragnolle Taunay, diretor do Museu Paulista e apresenta as seguintes características:

um escudo redondo, português, encimado pela coroa mural, distintivo das cidades. Em campo vermelho, uma faixa de prata no início do escudo, simboliza o rio de águas brilhantes, o Y-berab, uma das prováveis procedências do nome de Uberaba. Uma asna, também de prata, conjungada à faixa, deixa no campo do escudo uma área irregularmente triangular que simboliza o Triângulo Mineiro e onde se estampam cinco estrelas de prata, postas em aspa, das quais a do centro, é a maior e uma coroa de príncipe no alto, próxima ao vértice da asna. Simbolizam as cinco estrelas as principais cidades da região do Triângulo Mineiro e a maior recorda a primeira de Uberaba. Quanto à coroa de príncipe, rememora ela a antonomásia secular atribuída a Uberaba: “Princesa do Sertão”. Na parte inferior do escudo, um touro zebu de ouro, com as patas dianteiras erguidas “possante” ou “furioso”, como se diz em tecnologia heráldica, recorda o papel notável e a riqueza criada pela importação do gado indiano, no centro principal de Uberaba, por iniciativa uberabense. “Indefesse pro Brasilia!”: expressão em latim que significa “Incansável na defesa do Brasil”. Ao listal enramam-se hates de cana-de-açúcar. À direita, um oficial da milícia mineira que recorda os fundadores do “Sertão da Farinha Podre”, especialmente o sargento-mor Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira, o principal fundador de Uberaba. À esquerda, um soldado com uniforme dos voluntários da pátria, na campanha do Paraguai, relembra que Uberaba foi o campo de guarnições das forças que fizeram a Campanha do Mato Grosso e a Retirada da Laguna. Na parte central da coroa do mural, vê-se um escudete com as pechas simbólicas de São Sebastião e as Chagas de Cristo da ordem de São Francisco à qual pertenceu Santo Antônio.

Fonte: Boletim Informativo do APU – Edição Especial – n° 13, abril de 2001

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

LEITURAS INTERESSANTES

Uberaba Dois Séculos de História (dos antecedentes a 1929)


Guido Bilharinho nasceu no Distrito de Jubaí, município de Conquista. Cursou Direito na Faculdade Nacional de Direito, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e trabalhou na editora José Aguilar. É reconhecido como um dos ativistas culturais mais importantes de Uberaba, pois além de já ter presidido a Academia de Letras do Triângulo Mineiro, é pesquisador, escritor e coordena o Instituto Triangulino de Cultura.

O autor explica “conquanto o título, o presente livro não é história, não obstante a matéria de que é feito o seja. História, como se sabe se propala, é ciência, que pressupõe, antes de tudo, acesso, estudo e análises das formas primárias (documentos originais, notadamente) e articulação contextualizada dos fatos e acontecimentos em suas causalidades, condicionantes, inter-influências, identidades e conflitos internos, vinculações extrínsecas e intercomplementariedades para atingir um sentido e captar seus significados, de modo a estabelecer, estrutural e conjunturalmente, a indispensável conexão entre o recorte espaço-temporal e seus referentes externos. Outras exigências ainda permeiam a ciência histórica, que exige, como todo trato científico, formação cultural e técnica específica”.

Após essa explicação ao leitor, Guido informa que realizou um levantamento em jornais, “inventariação fática que abre pistas e perspectivas para investigação e análise histórica”.

A obra apresenta uma ordenação cronológica de fatos da cidade e contém índices que ajudam na localização dos acontecimentos: a) onomásticos (pessoas; instituições, empresas, organizações e empreendimento; livros e publicações; topônimos e prédios; generalidades); b) de ilustrações (fotos; mapas e organogramas; quadros e desenhos). A primeira parte, 'Antecedentes', apresenta as Primeiras Bandeiras – em 1590, destaca o ano de 1722, no qual a bandeira de Anhanguera pernoita em Uberaba e segue até o final do século XVIII. As outras avançam – ano a ano – registrando os acontecimentos mais importantes, após a fundação da cidade, no século XIX, até o ano de 1929.


Marise Diniz

Outras obras do acervo do APU: Aspectos (1992), Cem Anos de Cinema (1996), Cem Anos de Cinema Brasileiro (1997), Romances Brasileiros: uma Leitura Direcionada (1998), O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock (1999), O Cinema Brasileiro nos anos 90 (2000), O Filme de Faroeste (2001), O Cinema Brasileiro nos anos 80 (2002), Clássicos do Cinema Mudo (2003), A Poesia em Uberaba: do Modernismo à Vanguarda (2003), O Cinema Brasileiro nos anos 90 – Novos Filmes (2004), A Segunda Guerra no Cinema (2005), Espécies (2005), O Filme Musical (2006), O Cinema Brasileiro nos anos 70 (2007), O Drama no Cinema dos Estados Unidos (2008).

ORIGENS DE UBERABA

A região do Triângulo Mineiro começou a ter importância quando a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva Filho (filho de Anhanguera) saiu de São Paulo, em 1722, e passou por aqui. Em 1766, foi criado o Julgado do Desemboque, local rico em minas de ouro, que teve seu esplendor até 1781. Para dinamizar a administração dos Sertões, Antônio Eustáquio da Silva Oliveira (natural de Ouro Preto) foi nomeado para a
função de Comandante Regente dos Sertões da Farinha Podre (Triangulo Mineiro). Por volta de 1811-1812 construiu sua residência na cidade e um grande número de pessoas migraram para cá, estimuladas pelas condições geográficas propícias e também pelo prestígio e segurança que Major Eustáquio oferecia. Em 1818, ergueu-se a capela de Santo Antônio e São Sebastião. (Foto:1880).

1820 – O Rei D. João VI, por meio de um decreto datado de 02 de março, eleva o povoado à Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião. Isso representava, segundo a estrutura colonial, a institucionalização da vida das comunidades, o reconhecimento oficial perante a Igreja e o Estado, a ordenação da vida civil. Após esse ato, o padre passa a residir permanentemente na Igreja, facilitando a vida da comunidade, cria-se um cartório eclesiástico que abrange uma área com limites definidos, o povoado passa a ter um território delimitado e impulsiona-se o desenvolvimento social e administrativo.
Fonte: Boletim Informativo do APU n°6, março de 1995

Uberaba desenvolveu-se e emancipou-se politicamente tornando-se Vila, em 1836, e Cidade, em 1856. “Uberaba, ao longo de sua história, soube desempenhar o papel de centro comercial articulador dos negócios feitos entre o litoral e o sertão; centro irradiador de povoamento de todo o Triângulo Mineiro e Sul de Goiás; centro cultural do Brasil Central; centro defensor do criatório zebuíno e, hoje, grande centro produtor de fertilizantes e defensivos agrícolas do país” (Coutinho, 2002)
Fonte: Boletim informativo do APU, n° 11, março de 2000.