quinta-feira, 26 de março de 2009

Escrava Maria Rita

As análises sobre questões ligadas à escravidão podem ser feitas a partir dos processos criminais que envolviam senhores e escravos e pelos documentos do Cartório Criminal (Poder Judiciário) pertencentes ao acervo do Arquivo Público de Uberaba, datados de 1837 a 1888.

Os embates entre dominantes e cativos foram violentos, desde a captura na África, passando pelos maus-tratos nos locais de vendas e nas senzalas, até os castigos, aplicados diante de outros escravos, servindo como exemplo.

O processo criminal da escrava Maria Rita contra o seu senhor, Barão da Ponte Alta, foi transcrito e está à disposição para pesquisa.
Em 1886, ao fugir, a escrava Maria Rita, procurou primeiramente, um padre que se dispôs – sem se comprometer – a escrever uma carta para o Barão. A carta foi entregue, porém não causou nenhum efeito. Depois foi até o delegado de polícia. Maria Rita, ao tentar escapar, demonstrava claramente não aceitar a condição de cativa e provava sua resistência e luta pela sua liberdade.

Mesmo com as testemunhas confirmando os maus-tratos – todas diretamente ligadas ao Barão – considerou-se, no julgamento, apenas o relatório de corpo delito, cujo teor afirmava que a escrava sofreu apenas leves escoriações.

O ofício contém 47 páginas manuscritas, frente e verso e os autos iniciam-se em fevereiro de 1886 e arrastam-se até outubro, passando por inúmeras análises de diferentes autoridades, as quais foram capazes de aguardar até a convalescença de um escravo depoente para dar andamento ao processo.

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS

Político, administrador, engenheiro agrônomo, formado pelo Instituto Zootécnico de Uberaba, professor, jornalista e historiador. Observou e pesquisou com espírito científico como a região se desenvolvia. Suas obras históricas são, ainda hoje, importantes fontes de pesquisa sobre o município. Utilizava métodos pedagógicos próprios e, como jornalista, colaborou com vários jornais do interior e das capitais. Presidiu a Câmara e ocupou o cargo de Agente Executivo duas vezes. Em 1912, época em que substituiu Phillipe Ache, a Escola da Fazenda Modelo foi inaugurada.
Solicitou empréstimo para executar um plano de desenvolvimento da cidade, mas por manobra política de Caldeira Júnior – um dos proprietários da empresa Força e Luz – foi impedido de realizá-lo. Reeleito, renunciou ao cargo por conta dessa manobra e foi substituído por Silvino, outro sócio da Força e Luz.
Criou o “Club Separatista” com o objetivo de tornar o Triângulo um estado independente (1906). O movimento chamou a atenção do governo federal e trouxe melhorias para a cidade: pontes, estrada de ferro, grupo escolar, agência bancária e a volta do Batalhão de Polícia.
Durante seu mandato:
- realizou o calçamento das ruas de Uberaba.
- levantou a estatística do município.
- planejou o desenvolvimento da cidade, prevendo a compra e a ampliação da potência da empresa Força e Luz.

sábado, 21 de março de 2009

APU e UFTM: o início de uma parceria

A convite da professora da graduação em História, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Sandra Mara Dantas, conversamos, na noite de sexta-feira, com uma turma do curso.

Durante nossas falas, a turma se mostrou bastante interessada em ouvir o relato e as dicas de um profissional já formado em História e sobre a experiência com pesquisa a partir de documentos do acervo do Arquivo Público de Uberaba. Além disso, puderam conhecer - por meio de imagens - parte da equipe e as seções do APU e se surpreenderam com a riqueza desse acervo.

Para Sandra, foi o início de uma parceria, já que há a possibilidade de que alguns questionamentos feitos pelos alunos, posteriormente, se transformem em objeto de pesquisa, desenvolvida com base na documentação sob poder e guarda do Arquivo. Para nós, foi um grande prazer estabelecer esse contato e mais será poder atendê-los.

Obrigado, Professora Sandra, obrigado alunos!
Esperamos por vocês no Arquivo!

João Eurípedes de Araújo e Iara Fernandes

terça-feira, 17 de março de 2009

UBERABA E O PODER LEGISLATIVO - 1837 AOS DIAS ATUAIS


O Engenheiro e sócio da empresa Força e Luz substituiu – por meio de eleição corrida em 1º de Abril de 1913 – Philippe Aché, após sua renúncia, em junho de 1912. Em sua gestão:
-confecciona a planta da cidade (1913).
-desapropria a Igreja do Rosário (1914).
-proíbe o trânsito de carro de bois na cidade.
Em 1913, inaugura-se o posto meteorológico e, em 1915, o prédio do Asilo Santo Antônio e funda-se a loja Notre Dame de Paris.
A administração de Silvério José foi diferente de seu antecessor. Ele não considerava necessário que a Prefeitura encampasse uma usina geradora de eletricidade, mas reconhecia necessidade de organizar o fornecimento de água e o serviço de esgoto. Para viabilizar seus projetos, estabeleceu uma parceria com a iniciativa privada, captando recursos entre os empresários locais destinados a uma “Sociedade Anônima”. Conseguiu também, por meio da Câmara, (lei n.º 314, de 8 de abril de 1914), autorização para solicitar, ao governo estadual, recursos para executar melhorias no município. No entanto, devido à deflagração da 1ª Guerra Mundial, a ajuda não se efetivou. Segundo Hildebrando Pontes: [...] Minas trancou às Câmaras, as suas portas a empréstimos. Daí por diante, nenhuma esperança, mais, poderia acalentar o espírito do digno e honrado dirigente dos destinos de Uberaba: o desenvolvimento material desta, agora, teria que se verificar dentro dos estritos limites de sua arrecadação [...] (PONTES, 1970, p.165).
Diante da dificuldade, estabeleceu acordo com uma construtora paulista, para que a rede de água e esgoto fosse instalada em todas as residências de Uberaba, desde que a Câmara Municipal aprovasse o pagamento de juros de 6% ao ano sobre o capital investido na obra e outros favores mais. O projeto foi aprovou no dia 25 de agosto de 1915 e tramitou legalmente, inclusive sendo publicado (hasta pública) em editais de jornais de São Paulo e Rio de Janeiro. Porém, por campanha da oposição, o plano não foi concretizado.