sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

OS NOMES DE UBERABA

Há três versões distintas para a origem do nome da nossa cidade:

1. De acordo com Xavier Fernandes, na obra TOPÔNIMOS E GENTÍLICOS, Volume II, página 69, Uberaba é uma palavra indígena, citada no vocabulário jesuíta, que significa água brilhante, pois o U traduz-se por água e VERAVA, por resplandecente.

2. Para Augusto de Lima Júnior, em artigo publicado na revista de HISTÓRIA E ARTE, volume 3 e 4, na página 70, "Uberabaé" é o nome como os índios Caiapós[1] denominavam uma ave palmípede peralta colorida, muito comum na região, naquela época.

3. Von Martius, no livro GLOSSARIA LINGUARUM BRASSILIENSIUM, página 517, dá uma interpretação diferente e afirma que o nome deriva de "Obayroba" (Oba = palmito e Yroba = amargosa), ou seja, a planta tradicionalmente conhecida como gariroba.

Atualmente, a versão mais aceita para o nome da cidade é a primeira, podendo-se traduzir por rio de águas claras e cristalinas ou rio claro.

Até 1820, o arraial era conhecido como Santo Antônio do Beraba, conforme verificado no proclama de casamento de Antônio Joaquim da Silva e Anna Josefa Reis, fixado, em 1816, na porta da Capela de “Santo Antônio do Beraba”, (atual Centro de Cultura José Maria Barra). Comprova-se assim que o nome já era utilizado antes mesmo de Uberaba ser elevada à condição de Freguesia, em 1820.

De 1820 a 1836, passou a se chamar Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba. De 1836 a 1856, chamou-se Vila de Santo Antônio de Uberaba e, finalmente, Uberaba, a partir da elevação à cidade, em 1856.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Aspectos históricos relacionados à origem de Uberaba

A história de Uberaba inicia-se no século XVIII, a partir da exploração do interior brasileiro, na busca do ouro. A Estrada do Anhanguera, localizada entre o Rio Grande e o Paranaíba, foi a primeira entrada, no Triângulo Mineiro, comandada pelo bandeirante Bartolomeu Bueno. Aberta em 1722, tornou-se, por ordem régia posterior, o único caminho permitido para o transporte do ouro até Goiás.

Bem próximo ao local onde hoje está Uberaba, iniciou-se a extração do ouro, num lugarejo conhecido como Desemboque e, mais de meio século depois, ocorreu o esgotamento das minas.

o início do século XIX, Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira, o Major Eustáquio, morador do local, resolveu explorar a região e encontrou água em abundância e pastagens naturais do cerrado, condições muito propícias para a criação de gado e, consequentemente, uma saída econômica para o fim da mineração.

No Império, o governo doava as terras não cultivadas, num sistema conhecido por sesmarias. Após o extermínio e a expulsão dos caiapós, acompanhando o Major Eustáquio, algumas famílias estabeleceram-se na região, depois de receberam terras por esse sistema. Assim, formou-se o Arraial de Santo Antônio e São Sebastião.

O registro da vida do Arraial se dava na Igreja Matriz, instituição que documentava nascimentos, batizados, casamentos ou quaisquer outros acontecidos. Em 1836, o governo imperial determinou que se construísse o prédio da Câmara Municipal e o primeiro agente-executivo (termo equivalente à palavra “prefeito”) foi Capitão Domingos, irmão de Major Eustáquio.

 
No início, a atividade econômica mais relevante era a criação do gado chamado “pé duro” ou “curraleiro”. Como um dos importantes componentes da alimentação desse gado era o sal, rotas salineiras foram estabelecidas. Carros-de-boi traziam o sal e outras mercadorias, oriundas de São Paulo e Rio de Janeiro e levavam produtos da região, do Mato Grosso e de Goiás. Uberaba transformou-se em um entreposto comercial e surgiu uma outra atividade, fundamental para o desenvolvimento da cidade: o comércio. Tanto movimento justificou a chegada do trem de ferro, em 1889. Os trilhos vinham de Ribeirão Preto e acompanhavam as fazendas de café.

A cidade se desenvolveu e passou a abrigar – além das casas comerciais – bancos, livraria, cinemas, teatro, hotéis e escolas. Vieram os imigrantes e, dentre eles, arquitetos cujos estilos marcaram uma época de grande desenvolvimento.

Como é próprio do sistema capitalista, a estrada de ferro prosseguiu e seus trilhos alcançaram Goiás, Mato Grosso e outros centros comerciais. O comércio na cidade perdeu um pouco sua força e iniciou-se a criação de gado zebu. Uberabenses foram até a Índia buscar os animais e aqui aprimoraram a raça, com trabalho genético e exposições do zebu que evidenciam o município no cenário nacional.

Hoje, na cidade, a diversidade econômica que engloba a pecuária, a indústria, o comércio e a agricultura com igual nível de importância é fator essencial. Vale salientar também que a produção de grãos se destaca, em números, em toda Minas Gerais.

Uberaba organizou seu espaço a partir da Praça Rui Barbosa. A principal avenida, a Leopoldino de Oliveira, localiza-se na parte baixa (sobre o córrego das Lajes) e dela se ramificam as colinas que formam os bairros. Por isso costuma-se falar “vou descer para o centro.” ou “vou subir para casa”. As antigas colinas eram: Boa Vista, Estados Unidos, Misericórdia, Matriz, Cuiabá e Barro Preto, destacadas pelo escritor Borges Sampaio, agente executivo de 1878 a 1883.

O Arquivo Público disponibiliza para pesquisa e ampliação de informações, fotos, livros, revistas, jornais e outros documentos.


Marise Diniz

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ESTÁDIO "BOULANGER PUCCI"

O time do Uberaba Sport Clube, fundado no ano de 1917, realizava inicialmente suas partidas num campo alugado nos fundos da Santa Casa de Misericórdia, onde atualmente se situa o Hospital Escola. As vitórias conquistadas logo nas primeiras partidas contra equipes da região e da capital paulista, permitiram a rápida expansão e a popularização do clube recém-fundado e inviabilizou a manutenção de suas atividades esportivas naquele local.

Assim, no dia 10 de março de 1920, o presidente do Uberaba Sport Clube, o médico Cantidiano de Almeida, adquiriu um terreno de 200x120 m no bairro das Mercês, onde se situava a chácara de propriedade de Stanislau Severino Soares e de Graziela Marques Soares. No mesmo ano e nesse terreno, construiu-se o estádio e lavrou-se, no Cartório do 2º Ofício, uma escritura pública, registrada no livro 3-I de transcrição de imóveis. 

As dificuldades iniciais para a concretização do sonho de manter um estádio próprio foram logo superadas pela direção do clube e pela população, com a realização de inúmeras festas, quermesses e bingos, que tornaram possível a arrecadação do capital para o início das obras. 

No dia 1º de novembro de 1922, o estádio do Uberaba Sport, no fim da atual Rua Hildebrando Pontes, esquina da Avenida da Saudade, foi finalmente inaugurado, com lotação para 1.120 pessoas. As dimensões do campo eram de 110x70 m, podendo ser ampliadas até 110x80 m, de acordo com as exigências da instituição que congregava as equipes de futebol do período, a Liga Mineira de Desportos Terrestres. Na partida inaugural, o time do Uberaba enfrentou o Clube Atlético Paulistano, da capital de São Paulo, e venceu a partida por 2x1. Depois disso, o Uberaba recebeu, em partida festiva, o campeão do Uruguai, o Peñarol de Montevidéu. 

Na década de 1930, o estádio ganhou o nome de um dos presidentes do Uberaba Sport, “Boulanger Pucci”, prefeito de Uberaba, na gestão de 1947 a 1951. Essa homenagem, em vida – Boulanger faleceu em 1965 – decorreu do fato de que ele disponibilizou boa parte de suas atividades à organização e à administração do estádio. 

Em 1976, a Câmara Municipal de Uberaba realizou uma homenagem a Rigoleto de Martino, autor do Hino do Uberaba Sport, nomeando a praça situada em frente ao estádio (cruzamento da Rua Hildebrando Pontes e Avenida da Saudade) com seu nome. No local, ainda existe, embora de difícil visualização, uma placa alusiva ao nome. 

As campanhas realizadas nas décadas de 1940 e 1950: conquista do título do campeonato do Triângulo Mineiro e, duas vezes, o título de melhor time do interior de Minas Gerais, todas disputadas em seu estádio, tornaram o USC conhecido, por muito tempo, como “O Time das Mercês”. Até o ano de 1972, data em que foi inaugurado o estádio Engenheiro João Guido, conhecido popularmente como Uberabão, as principais partidas da equipe aconteceram no Boulanger Pucci.

 Luiz Henrique Caetano Cellurale
Danilo Costa Ferrari

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Algumas curiosidades sobre o carnaval

O carnaval considerado como um conjunto de manifestações populares de caráter festivo expresso pela música, pela dança, pela fantasia e pela folia, tem uma origem controversa. Para alguns historiadores a sua origem remonta à Grécia antiga com os seus festejos pagãos de celebração do retorno da primavera e aos cultos ao deus Dionísio. Para outros a sua origem está associada à Roma Antiga com os seus bacanais, saturnais e lupercais em honra aos deuses Baco, Saturno e Pã.

Apesar de inicialmente ter sido condenado pela Igreja Católica por seu caráter festivo de excessos e luxúria, não foi possível proibi-lo, principalmente em função de sua popularidade. Dessa forma, foi oficializado pela Igreja Católica em 1545, no Concílio de Trento, no qual foi reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transformou o Calendário Juliano em Gregoriano e estabeleceu as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data era não coincidir a Páscoa Católica com a Páscoa Judaica.

O carnaval no Brasil tem as suas origens no entrudo português, manifestação popular de rua na qual as pessoas jogavam umas nas outras, água, ovos e farinha. Alguns historiadores atribuem o início do nosso carnaval à celebração feita pelo povo para comemorar a chegada da Família Real Portuguesa. Nessa data, as pessoas saíram pelas ruas comemorando com música e usando máscaras e fantasias.
Personagens como a Colombina, o Pierrô e o Arlequim também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.

Em Uberaba, o carnaval remonta à década de 1930, quando os blocos carnavalescos já animavam as praças e as ruas da cidade e os clubes já organizavam seus bailes de carnaval. Nas décadas de 70 e 80, surgiram várias escolas de samba como: Império da Abadia, Brasil Moreno, Unidos da Boa Vista, Rosa de Ouro, Preciosa do Leblon, Unidos da Vila, Acadêmicos de Santa Maria. A associação carnavalesca Bambas do Fabrício é uma das escolas de samba mais antigas de Uberaba (1935). Já a Associação das Escolas de Samba Uberabenses teve a sua origem, em 1983, no Barracão do Samba, à rua Manoel Borges.

Joubert de Carvalho, médico e compositor uberabense que escreveu várias composições entre valsas, canções, tangos e marchinhas carnavalescas, compôs a famosa marchinha Ta-hi, cantada por Carmem Miranda e amplamente ouvida por foliões de todo o Brasil.
Um Trecho da marchinha:

 


Tahi
Eu fiz tudo
Pra você gostar de mim
Oh! Meu bem
Faz assim comigo não
Você tem, você tem
Que me dar seu coração








texto: Cíntia Gomide Tosta

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Edital Mais Museus


O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) divulgou mais uma edição do Edital Mais Museus. Poderão ser beneficiadas cidades com até 50 mil habitantes e que não possuem instituição museológica. A iniciativa faz parte do Programa Museu, Memória e Cidadania e vai formar um banco de projetos que serão apoiados financeiramente durante o exercício de 2010.

Os projetos podem ser elaborados por pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, excetuando-se aquelas vinculadas à estrutura do Ministério da Cultura - MinC, interessadas em obter apoio financeiro para implantação de museus.

O apoio consiste na aquisição de equipamentos e mobiliários; elaboração de projetos para execução de obras e serviços; instalação e montagem de exposições; restauração de imóveis; elaboração de projetos museológicos ou museográfico; e benfeitoria em imóveis.

As inscrições estarão abertas no período de 8 de fevereiro a 10 de março. Os interessados em participar da seleção devem enviar propostas, exclusivamente via postal, para o Departamento de Difusão, Fomento e Economia dos Museus do Ibram/MinC.




http://www.cultura.gov.br/site/categoria/editais-ministerio-da-cultura/