terça-feira, 28 de setembro de 2010

Padre Ângelo Pozzani

Padre Ângelo Pozzani nasceu em 29/09/1910, em Torri Del Bênaco (Itália). Em 1949, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora da Abadia, permanecendo até 1978. Nesse período, desenvolveu ações para estimular a participação dos fiéis: sessão de filmes infantis (“Cineminha do Padre Ângelo”), grupo de teatro, ensino de música e implantação de um coral e de um time de futebol, que jogava em um campo, localizado no fundo da igreja. Além dessas ações, construiu as salas onde funciona a catequese, deu continuidade às reformas da Igreja e ampliou o templo, edificando as laterais e um grande santuário.
Segundo Nabut (1983) “Padre Ângelo é considerado o Padre do Povo. Talvez sem o Padre Ângelo, a Festa d’Abadia em Uberaba já se teria resumido a uma simples e pacata novena. Ele deu alma à festa.” e, nas palavras do próprio Pozzani: A missão da igreja é salvar o homem todo, inteiro, único, inédito, irrepetível, real, concreto, histórico. A missão da Igreja é a de abrir os olhos para Deus, olhando os homens ao mesmo tempo. Não se pode salvar a alma, abandonando o homem num mundo de miséria e podridão.

Fonte: Santos do Céu... Santos da Terra... Santos do Povo... Sua benção Padre Ângelo!. Revista Documento e História. APU. nº 06. Agosto de 2000.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sessenta e cinco anos de término da Segunda Guerra Mundial: a participação uberabense no maior conflito bélico do século XX

            No dia 02 de setembro deste ano, fará sessenta e cinco anos do término da Segunda Grande Guerra Mundial. Apesar do avanço científico e tecnológico ocorrido nesse período, as perdas humanas, materiais e culturais desse conflito – incalculáveis e irreparáveis – ultrapassam qualquer benefício que a humanidade possa usufruir desse confronto.
Em agosto de 1942, no governo autoritário de Getúlio Vargas, em pleno Estado Novo, o Brasil, único país latino-americano a participar do confronto, uniu-se aos ALIADOS e, declarou guerra ao EIXO: Alemanha, Itália e Japão.
Cerca de 25 mil brasileiros lutaram na Itália. O apoio aos Aliados trouxe modernização militar, e industrialização ao país, além, de reforçar os laços com os Estados Unidos.
No ano de 1943, foi organizada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), destacamento militar que lutaria na Segunda Guerra, com o auxílio da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha de Guerra do Brasil. A principal ação militar brasileira aconteceu na Campanha da Itália, onde os brasileiros foram a combate, ao lado das forças norte-americanas.
Minas foi o segundo estado na contribuição de efetivo para a FEB. Uberaba participou com duzentos (200) soldados e, de acordo com informações do Tiro de Guerra local, dezessete (17), estiveram nos campos de batalha italianos.
Segundo publicação do Arquivo Público[1], Uberaba, nesse período, vivia um momento de crescimento econômico e urbanístico, sua população era de aproximadamente 60.000 habitantes e 52% deles residiam na zona urbana. A Administração Municipal encontrava-se centralizada em Belo Horizonte onde os prefeitos do interior se reuniam para padronizar a política nas cidades mineiras.  Em Uberaba, Whady José Nassif respondeu pelo Executivo, no período de 1937-1943. Durante a Guerra, houve racionamento de açúcar, leite e gasolina. Os alimentos tiveram alta nos preços e grande parte da frota de veículos uberabenses teve o motor adaptado para o uso de gasogênio. Motivado pela carestia, o prefeito inaugurou o sistema de feiras livres.
Foram registradas, na cidade, algumas manifestações de xenofobia contra imigrantes naturais de países pertencentes ao EIXO.
Em outubro de 1943, já na gestão de Carlos Martins Prates, dois grupos de uberabenses foram convocados: o primeiro reuniu-se na estação da Rede Mineira de Viação, de onde seguiu para Juiz de Fora ou São João Del Rei e o segundo embarcou no dia 30 de outubro. Em 1944, 110 uberabenses dirigiram-se a São João Del Rei e, no total, 884 reservistas foram mobilizados. Muitos deles procuraram fugir da convocação retirando seus nomes por meio de influência política, ou – os mais pobres – provocando doenças em si mesmos. Para reverter a situação, o governo determinou a aplicação de alguns artigos do Código Militar, caracterizando como crime de insubordinação a recusa em se apresentar ao Exército ou à Marinha, quando convocado.
Os combatentes relataram, por meio de cartas, os sofrimentos e o heroísmo dos companheiros, frente às adversidades, nos campos de batalha na Itália. O frio intenso (17º a 20º graus abaixo de zero) provocava, além de pneumonia, uma doença conhecida por “geloné”, causadora de gangrena e amputação do membro afetado. O Expedicionário Alcebíabes Borges faleceu na Itália, em combate.
Finda a guerra, em maio de 1945, a partir de julho, os pracinhas começaram a retornar ao Brasil e as autoridades organizaram várias homenagens para recepcioná-los. Em Uberaba, os expedicionários foram recebidos na estação ferroviária e desfilaram em carro aberto pelas ruas da cidade, acompanhados pela multidão. Em seguida, dirigiram-se à praça Rui Barbosa e, posteriormente, ao Tiro de Guerra.
Alguns expedicionários uberabenses relatam várias dificuldades financeiras pelas quais passaram, ao retornarem da Guerra.
Cíntia Gomide Tosta

[1] Arquivo Público de Uberaba. Ano II – Série: Documento e História - Outubro/95 Nº 02