sexta-feira, 7 de junho de 2013

DIA INTERNACIONAL DE ARQUIVOS

No dia 09 de junho comemora-se o dia internacional dos Arquivos, segundo o “Conselho Internacional de Arquivos”, data escolhida para que essas instituições pudessem divulgar a sua importância junto à administração pública e à sociedade e que ambos reconheçam a relevante função de um Arquivo no que se refere aos seus direitos e preservação documental, como também na divulgação da história.
Às Instituições Arquivísticas, a partir de 1990, com a instituição da Lei 8.159/1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados, lhes foram atribuída a missão de administrar a documentação pública e de caráter público. Para que essa administração possa realizar é necessário intervir no ciclo vital dos documentos. Nesse sentido os arquivos começaram a se inserir profundamente na administração pública. Assim, essas instituições passaram a não se limitar somente a recolher, preservar e dar acesso aos documentos custodiados.  Deu-se a elas funções muito mais amplas, como órgão responsável pela implantação e coordenação de políticas públicas relacionadas à gestão de documentos, buscando assim uma aproximação das diversas demandas dos órgãos produtores de documentos. Essa aproximação trouxe mais responsabilidade, mas também prestígio e importância junto às organizações, libertando-os de uma visão restrita à história.
Em Uberaba, no ano de 2006, a Lei Municipal nº 10082 definiu a política de Gestão de Documentos e Informações Municipais (GSDIM) para o Município com propostas e metodologia inovadoras. A instituição arquivística assumiu plenamente a coordenação dessa política e seus desdobramentos a partir de 2009, tendo obtido resultados numéricos expressivos, bem como a estimulação de uma nova cultura de arquivamento nos órgãos pertencentes à Prefeitura Municipal de Uberaba. O trabalho desenvolvido teve grande repercussão em seminários realizados no Brasil e no restante da América do Sul.
Atualmente a Superintendência de Arquivo Público ocupa função estratégica dentro do Poder Executivo, pois é responsável, não só pelo arquivamento intermediário e permanente de todas as informações produzidas no âmbito da administração direta e indireta, mas também é uma prestadora de serviço à comunidade, já que promove o acesso aos documentos públicos sob sua custódia. Entendemos que a preservação da história local e a proteção dos direitos adquiridos são de responsabilidade da administração pública e de todos os cidadãos. Nesse sentido, a Superintendência de Arquivo Público convida a população de Uberaba para conhecer a instituição Arquivo para conhecer as atividades realizadas e o valioso patrimônio arquivístico custodiado, testemunho do desenvolvimento econômico, político e social de Uberaba.
A Superintendência de Arquivo de Uberaba foi criada em 04/11/1985 e tem por finalidade recolher, custodiar, preservar, divulgar o patrimônio documental e garantir o pleno acesso à informação, suporte para a tomada de decisões governamentais e garantia de direitos individuais e coletivos para o exercício pleno da cidadania. Hoje, a instituição constitui no interior de Minas Gerais um modelo da prática arquivística.

  SUPERINTENDÊNCIA DE ARQUIVO PÚBLICO
Diretor: Edguimar Antônio de Oliveira
Superintendente: Marta Zednik de Casanova
Técnica em Documentação: Raquel Blancato

segunda-feira, 3 de junho de 2013

DIA DA IMPRENSA
COMEMORADO EM PRIMEIRO DE JUNHO


A IMPRENSA E OS PRIMEIROS JORNAIS EDITADOS EM UBERABA




Impressora em meados do Século XIX


Apesar do papel e das técnicas de impressão terem sido criados na China, por volta do século II, foi na Europa, aproximadamente no século XV, que o processo de impressão desenvolveu-se, graças ao trabalho de vários pioneiros, entre eles o sacristão holandês Laurens Janszoon Coster e o capitalista Johan Fust.
Em 1440 o ourives alemão Johannes Guttenberg imprimiu tipograficamente aproximadamente 300 Bíblias provocando uma verdadeira revolução na técnica da impressão. Reutilizando os “tipos móveis” sobre blocos de madeira e posteriormente sobre blocos de chumbo e antimônio gravados em uma tábua, Guttenberg criou as bases da imprensa moderna. Anterior a esta invenção os livros na Europa eram copiados e ilustrados por monges católicos, processo moroso e caríssimo - apenas os muito ricos, membros da corte européia e alguns sacerdotes - podiam adquirir os valiosos manuscritos. Neste período a parcela da população alfabetizada era mínima, o acesso menos dispendioso ao material impresso, graças às novas técnicas de impressão, contribuiu para a diminuição do analfabetismo naquele continente.
O inglês William Caxton em 1476 imprimiu os primeiros livros de literatura rompendo assim o monopólio de impressão de obras religiosas. Esse passo decisivo também concorreu para a democratização da informação, antes restrita a um número mínimo de pessoas.
No Brasil a história da imprensa está vinculada a transmigração da família Real portuguesa para estas paragens, em 1808. Anterior a este período, todo tipo de publicação na colônia brasileira era proibida, considerada inclusive ilegal e subversiva. A presença de Dom João VI e sua corte, nas terras “tupiniquins” trouxe inúmeras mudanças para os “intelectuais e a elite econômica local”, entre elas, o início do itinerário da Real Biblioteca no Brasil e a criação no Rio de Janeiro, pelo monarca, da Imprensa Régia: órgão oficial do governo português. O periódico, Gazeta do Rio de Janeiro, tinha todo o seu maquinário importado da Inglaterra e publicava exclusivamente notícias do interesse da Metrópole lusitana.
Em junho de 1808, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, maçom e diplomata brasileiro, naturalizado inglês, lança em Londres o Correio Braziliense, jornal defensor de idéias liberais dentre elas a emancipação da colônia brasileira do Reino de Portugal. Este periódico, restrito a poucos durou de 1808 a 1823. Seu primeiro número só chegou à colônia clandestinamente em outubro de 1808, defendendo e fomentando os ideais de liberdade e criticando a política e a gestão portuguesas.
Historicamente a imprensa no Brasil teve um papel superlativo na luta pela independência e pelo fim da escravidão, bem como pela adoção de um regime político democrático.

Na jovem cidade de Uberaba foi fundado em outubro de 1874, pelo médico francês Henrique Raimundo Des Genettes, o jornal Paranahyba. Este periódico pioneiro, semanal, possuía 04 páginas, três colunas e uma tiragem aproximada de 200 exemplares, tinha como colaboradores Borges Sampaio e José Alexandre de Paiva Teixeira (PONTES, 1931). Dedicado aos interesses comerciais, agrícolas, industriais e fabris de Minas Gerais, Goias e Mato Grosso (PONTES, 1931), a folha que era dirigida e redigida por Des Genettes, tinha sua oficina e redação instaladas no prédio nº 13 da Rua Direita, atual Rua Coronel Manoel Borges, no antigo sobrado de Juca Severino. 

Jornal Gazetinha – Abril de 1894 – Acervo APU


O primeiro prélo, pequeno e modestamente equipado era manual, com alavancas e suportes em forma de cruz. Nele foram impressos também outros jornais uberabenses como: O Echo do Sertão, O Beija Flor, A Gazeta de Uberaba (PONTES, op. cit.).
O Paranahyba teve apenas 03 edições publicadas, sendo substituído pelo jornal O Echo do Sertão também dirigido por Raimundo Des Genettes. Com uma tiragem de 650 exemplares, e sendo declarado como um “Periódico Imparcial” foi no Echo do Sertão que Des Genettes batizou esta região de Minas Gerais de Triângulo Mineiro, chegando até a discutir a sua anexação a São Paulo (PONTES, 1931). O Echo do Sertão encerrou a sua publicação de nº 66 em meados de março de 1886.  A 67ª publicação em 30 de março do mesmo ano recebeu o nome de Uberabense.
O Semanário “recreativo, crítico, literário, comercial e político” (PONTES), denominado Beija Flor, foi publicado pela primeira vez em fevereiro de 1875 por Alexandre de Paiva Teixeira. Com vida curta, o periódico impresso na tipografia do Echo do Sertão, em papel colorido, durou apenas 06 meses, sendo substituído pela Gazeta de Uberaba que passou a ser distribuída a partir de agosto de 1875. A Gazeta também tinha como diretor e redator José Alexandre de Paiva Teixeira e circulou até fevereiro de 1876.
Em 27 de abril de 1879, continuando a saga da imprensa local, João Caetano & Rosa fundam a Gazeta de Uberaba, o segundo jornal com essa denominação (BILHARINHO, 2007), “em prol da defesa da cidade e dos municípios circunvizinhos” (PONTES). Por diversas vezes o jornal advogou arduamente a favor de causas políticas e lutas partidárias. Em suas páginas encontram-se fatos marcantes de nossa história.
Após a criação destes periódicos pioneiros, segundo LOPES (2007, p. 31) são fundados em Uberaba, entre 1880 a 1845 aproximadamente 130 jornais, alguns deles, como a Gazeta de Uberaba, ligados a defesa de ideais políticos e associações de classe. A circulação destas folhas era quase exclusivamente restrita ao município.
Neste conjunto de folhas publicadas, vale à pena destacar o Jornal Lavoura e Comércio, fundado pelo Clube da Lavoura e Comércio, em julho de 1899 (BILHARINHO) que permaneceu ativo por105 anos, tendo suas atividades encerradas em 2005.
Deste período até a contemporaneidade, vários periódicos foram fundados, muitos já não estão mais em funcionamento, outros tem o desafio de construir cotidianamente um jornalismo crítico e esclarecedor dos fatos e acontecimentos que nos envolvem.
Atualmente Uberaba possui dois periódicos diários: o Jornal de Uberaba e o Jornal da Manhã e outros quinzenais e mensais como: o jornal Revelação, Abadia Notícias, A Flama Espírita, e o Jornal do Triângulo.

Cíntia Gomide Tosta
Pesquisadora da Superintendência de Arquivo Público


Referências
BILHARINHO. G. Uberaba: Dois Séculos de História. Uberaba: Arquivo Público de Uberaba, 2007
LOPES. M. A. B. Da Rotoplana à Rotativa. 35 anos de história. Uberaba: Editora, 2007
PONTES, H. A Imprensa de Uberaba. Jornal Correio Cathólico de 21
http://fatosquemudaramomundo.blogspot.com/2008/11/inveno-da-imprensa.html
http://www.imultimedia.pt/museuvirtpress/port/persona/c-d.html
http://www.casadomanuscrito.com.br/casa/curio_07.htm
http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_16.htm
Vídeo história da Imprensa. Flv. Acesso em http://www.youtube.com/watch?v=_qtDPUAuK5c
http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_16.htm
http://elesmudaramomundo.blogspot.com.br/2011/11/johannes-gutenberg-e-invencao-da.html
http://www.bn.br/portal/?nu_pagina=11
Referências de Imagens:
Imagem 01: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/junho/dia-nacional-da-imprensa-8.php
Imagem 02: Gazetinha: Folha mais antiga do acervo do APU

Cultura e História do Meu Bairro levam alunos à Superintendência de Arquivo Público



Alunos das escolas participantes do Projeto Cultura a História do Meu Bairro estão em plena atividade e, uma delas, é a visita à sede do Arquivo Público de Uberaba (APU). Em todas as visitas os alunos conhecem o espaço físico do APU, assistem a um breve filme sobre a história de Uberaba e tem contato com alguns documentos sobre a história do bairro a que eles pertencem e da escola. 
Esse ano as visitas foram mediadas por Aline Mariscal dos Santos, Cintia Gomide Tosta, João Eurípedes de Araújo e Vinicius Prado de Almeida, da equipe da Superintendência, e para o registro fotográfico estiveram presentes Lilia Coelho e Tamires Barbosa, da equipe do Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social (Iades).


 Veja algumas peculiaridades do que aconteceu:

Escola Estadual Prof. José Macciotti
A atividade foi realizada em uma única manhã com as duas turmas que irão pesquisar o bairro de Lurdes. Eles visitaram os departamentos do APU, viram algumas fotos antigas sobre o bairro e a escola, manusearam documentos antigos através do uso de luva e máscaras, viram fotos antigas da cidade, jornais da hemeroteca, o decreto de fundação do bairro e também assistiram ao filme sobre a História de Uberaba. Após esse momento foi feito uma reconstituição com os alunos do que eles perceberam.


Escola Estadual Carmelita Carvalho Garcia
A escola montou duas equipes para participar do projeto e as turmas foram à Superintendência de Arquivo em momentos diferentes.
A atividade se iniciou com uma visita aos departamentos da instituição e posteriormente foi exibido o filme sobre a história de Uberaba, onde os alunos puderam discutir sobre o filme, a função do Arquivo Público e a importância da pesquisa. De acordo com a assistente de desenvolvimento de projetos, Lilia Coelho, ficou perceptível na turma pesquisadora alguns aspectos como curiosidade, perspicácia e envolvimento. “Os alunos puderam aprender bastante nessa visita, manusearam documentos antigos com luvas e máscaras e se aproximaram mais da sua própria história, com certeza eles voltaram para a escola com muitas ideias para desenvolver o trabalho”, completa.

Segunda visita


A visita proporcionou aos alunos que eles conhecessem o armário deslizante, que foi adquirido pelo APU. Este equipamento proporciona uma maior preservação dos documentos, protegendo da umidade e possíveis incêndios, como explicou um dos técnicos APU durante a visita.  Os estudantes também passaram pelo departamento que contém os arquivos pessoais, e pelo armário que contém os áudios de gravações de entrevista, músicas e etc. “Cada visita que realizamos no APU é única, tem as suas peculiaridades, devido à turma e ao objeto de pesquisa que muda. Essa visita foi muito rica em detalhes, os alunos puderam aprender bastante”, finaliza a coordenadora Tamires.

E. E. Leandro Antônio de Vito


A escola está participando do projeto há 05 anos. Esse ano o objeto de estudo dos alunos é o Jardim Bela Vista. Para desenvolver a pesquisa foi selecionada uma turma, com alunos do 06º ao 09º ano. Os alunos passaram pelo galpão que contém os arquivos do município, os arquivos que fazem parte do acervo permanente (atas, escrituras, livro de caixa), viram o armário deslizante que foi adquirido pelo APU para aumentar a conservação dos documentos, viram fotos antigas da cidade e discutiram sobre as mudanças, viram atas e jornais antigos da hemeroteca, onde puderam perceber o quanto esses documentos estão deteriorados. Assistiram ao filme que conta a história de Uberaba, e discutiram sobre os aspectos de criação e desenvolvimento da cidade de Uberaba. “Um aspecto interessante da turma selecionada, é que dentre os alunos, alguns já participaram do projeto, outros não, e há ainda alunos que acabaram de mudar para Uberaba”, conta Tamires.


E. E. Bernardo Vasconcellos visita sede do APU
A escola está desenvolvendo o projeto com duas turmas do terceiro ano do ensino médio e realizou a visita em dois momentos diferentes.

Primeira visita
O comportamento dos alunos foi de muito envolvimento com o projeto, visitaram todos os departamentos do APU, tiveram contato com fotos antigas do bairro, e com alguns jornais da hemeroteca. Ao fazer uma breve análise desses jornais eles perceberam uma mudança na linguagem e nas propagandas. Houve também uma discussão sobre a função do APU e a importância da história para conhecer e modificar o presente, como conta a coordenadora do projeto. Logo depois viram um filme sobre a história de Uberaba e debateram sobre o mesmo. “Um aspecto interessante dessa primeira visita é que os pesquisadores questionaram a viabilidade de guardar documentos ‘velhos’ e de se gastar tanto dinheiro para conservá-los, porém ao longo da visita eles puderam perceber o valor de tais documentos que não contam a história de algo que nos é alheio, mas sim a nossa própria história”, relata Tamires.

Segunda visita
Os alunos já haviam iniciado a pesquisa sobre o Costa Telles I, ao passar pelos departamentos do APU se mostraram atentos e questionadores. Viram o galpão que guarda os documentos administrativos da prefeitura, passaram pelo arquivo fotográfico e do titulo de eleitor, conheceram o armário deslizante, as fotos da cidade, os arquivos privados e sonoros e manusearam os documentos antigos. Após esse momento eles fizeram uma recapitulação dos departamentos que conheceram e assistiram ao filme sobre a história de Uberaba, onde puderam discutir sobre a importância da pesquisa, como ferramenta para transformar a realidade.






Ações Educativas da Superintendência de Arquivo Público

Diálogos entre a história, a educação e a cultura

O Projeto Ações Educativas tem como finalidade fortalecer o sentimento de identidade por meio do resgate e apropriação de elementos do legado cultural, reunidos no acervo institucional. Assim, além de divulgar a história local e fomentar a preservação e a pesquisa documental o Projeto Ações Educativas, visa programar ações que fomentam a curiosidade, o diálogo, a valorização e o reconhecimento da importância da preservação, e das referências históricas, incentivando o protagonismo das crianças e jovens, prioritariamente nestes aspectos.
De fevereiro a abril de 2013, aproximadamente 460 alunos do ensino fundamental à Universidade, das redes públicas e privadas foram contemplados com o Projeto Ações Educativos na sede da Superintendência.
Tendo como parceiros o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social no “Projeto Cultura e História do Meu Bairro”, a Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães e o Curso de História da UFTM, o Projeto Ações Educativas pretende realizar uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação na implantação de visitas guiadas com as turmas de 3º ano do Ensino Fundamental.
Alguns depoimentos de alunos visitantes:


“Foi um passeio inesquecível, o que aprendemos vamos levar para o resto da vida.” Mayara Marçal - Escola Estadual Felício de Paiva


“Lá tinha milhares de documentos e fotos, e os documentos são tão antigos
que para pegá-los temos que usar luvas”
Isabela Aparecida Passos - Escola Estadual Felício de Paiva




Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la ou admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela. (...)

Antônio Cícero