sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Pesquisador defenderá tese de doutorado em Educação na UNESP, cujas fontes foram levantadas na Superintendência do Arquivo Público de Uberaba


Pesquisa baseada em vasto acervo documental da Superintendência do Arquivo Público sobre a pioneira Escola de Pharmacia e Odontologia de Uberaba - será defendida no Programa de Pós-graduação da Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista – UNESP.


Fundada em 1926 pelo médico Francisco Mineiro de Lacerda, a Escola de Pharmacia e Odontologia, foi a primeira instituição de ensino superior do gênero em Uberaba. Desta escola foram diplomados profissionais odontólogos e farmacêuticos de inúmeras regiões do país e até do exterior, isto significava um grande avanço para época, uma vez que era comum a existência de profissionais práticos. A tese conta parte da história de Uberaba e fala da importância desta instituição para o contexto da educação no Triângulo Mineiro.
Imagem da primeira sede Escola de Pharmacia e Odontologia de Uberaba fundada em 1926 Acervo: APU

O autor da pesquisa Willian Douglas Guilherme, teve seu primeiro contato com os documentos do Arquivo Público de Uberaba em meados de 2009, quando ainda era estudante de mestrado na Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Sobre a instituição arquivística de Uberaba ele aponta:

Visitei vários Arquivos em todo o Brasil e posso dizer sem duvidar que o Arquivo Público de Uberaba está dentre os mais atuantes e modernos. Há uma política de integração com a sociedade e toda uma estrutura para atendimento ao público e aos pesquisadores que nos faz passar horas e horas sem perceber que estamos em 2015. A riqueza de documentos e os processos de digitalização e de aquisição de novos acervos, política séria da atual gestão municipal, deixam o Arquivo mais interessante. É sem dúvida, uma fonte quase inesgotável de história “viva”.

A tese de Willian Douglas Guilherme leva o título: “A Escola de Pharmarcia e Odontologia de Uberaba: Francisco Mineiro de Lacerda e o Ensino Superior no Triângulo Mineiro – 1926 a 1936”. Será defendida em 04 de março no Campus da Unesp de Marília – SP.

Texto: Thiago Riccioppo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Conheça o acervo digital do Museu da Imigração do Estado de São Paulo

















Sobre o Acervo Digital do Museu da Imigração do Estado de São Paulo 

O projeto Memória da Imigração integra, por meio de um banco de dados online, o acervo digital do Museu da Imigração e documentos pertencentes ao Arquivo Público do Estado de São Paulo. No total são mais de 250 mil imagens disponíveis para consulta e download gratuito, em uma ferramenta que revoluciona o acesso a fragmentos da história paulista e brasileira.

O trabalho teve início em janeiro de 2011, coordenado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, e envolveu etapas de organização documental, intervenções de conservação e preservação, digitalização e tratamento das imagens digitais. Como resultado, o banco de dados desenvolvido oferece acesso amplo, público, democrático e organizado a um acervo de inestimável valor material e imaterial relacionado à memória da imigração no Brasil, garantindo ainda a preservação dos documentos originais.

Acesse o site do acervo do Museu da Imigração, clicando aqui!


A ferramenta permite buscas baseadas em diferentes parâmetros, disponibilizando resultados organizados entre os critérios:

Cartas de chamada: Cerca de 32 mil documentos que declaravam garantia de auxílio ao imigrante que pretendesse se juntar à família já instalada no Brasil. Os formulários e cartas facilitavam a entrada do imigrante que viesse trabalhar no país, pois comprovavam a existência de um responsável pelos gastos com passagens e alimentação.

Registro de matrícula: Documentação que comprova a passagem do imigrante pela Hospedaria. Por meio do sobrenome é possível encontrar informações referentes à data de chegada, idade, familiares, entre outras. A página do livro em que consta o registro pode ser visualizada em formato digital.

Cartográfico: Conjunto de mapas e plantas de núcleos coloniais, loteamentos, fazendas, edificações e da Hospedaria de Imigrantes, contabilizando mais de 2.800 arquivos.

Iconográficos: Pesquisa que disponibiliza cerca de oito mil documentos que compõe o acervo de imagens. Entre os materiais, estão retratos de imigrantes, cartões postais, fotografias de viagens e da antiga Hospedaria.

Requerimentos da Secretária da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (SACOP): Documentos formulados pelos imigrantes buscando obter a restituição de despesas de transporte até a chegada ao Brasil. Alguns desses requerimentos solicitavam antecipadamente passagens ou serviam para prestar contas de adiantamentos.Jornais: Disponibiliza mais de duas mil edições de jornais de colônias de imigrantes no Brasil, publicadas entre os anos de 1886 e 1987. A maior parte dos títulos está na língua materna do grupo de imigrantes ao qual a publicação era dirigida. As edições pertencem ao acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo, Instituto Italiano di Cultura de São Paulo e Instituto Histórico Geográfico de São Paulo.


Lista Geral de Passageiros para o Porto de Santos: Relação nominativa dos imigrantes embarcados no período de 1888 a 1965, principalmente em portos europeus, com desembarque previsto no Porto de Santos. Nesta lista constam informações sobre parentesco, nacionalidade, sexo, estado civil, profissão, idade, religião, grau de instrução, dados do passaporte, procedência e destino. Esta documentação era preenchida pelas companhias de navegação e entregue a um funcionário da Inspetoria de Imigração no Porto de Santos. Existem também listas de passageiros brasileiros e estrangeiros, que se movimentaram entre portos da América do Sul ou entre portos brasileiros neste período. Podem ser encontrados ainda, documentos anexos variados, de alguma forma vinculados aos dados constantes nas listas. 

Fonte: Museu da Imigração do Estado de São Paulo

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Carnaval em Uberaba no final do século XIX e início do XX

NO FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX A COMUNIDADE UBERABENSE COMEMORAVA O CARNAVAL COM MUITA ANIMAÇÃO E SIMPLICIDADE, CUJOS EVENTOS FORAM REPORTADOS PELAS PROPAGANDAS E MATÉRIAS CONTIDAS NOS JORNAIS “GAZETA DE UBERABA” E “LAVOURA E COMÉRCIO”, RELACIONADOS, A SEGUIR:
GAZETA DE UBERABA, 11 DE FEVEREIRO DE 1887 - NÚMERO 494, p. 04

 “No domingo último, à noite, percorreu as ruas desta cidade um animado Zé Pereira que pintou a saracura.
Ao que nos consta, nos três dias consagrados a Momo se exibirá uma sociedade carnavalesca que pretende dar muita sorte. Que venha”.
FONTE: LAVOURA e COMÉRCIO - 15 DE FEVEREIRO DE 1900 , p. 01


FONTE: LAVOURA E COMÉRCIO - 18 DE FEVEREIRO DE 1900, p. 01



 “Na noite do ultimo domingo, um animado Zé-pereira transitou pelas ruas desta cidade, alegrando a população com as suas cantorias e danças. Ao que nos consta vamos ter um carnaval v’lan, em que serão apresentadas cousas do arco da velha. Muitos confetes se jogaram, nesse dia, sobretudo ao anoitecer. Este brinquedo, entretanto carece muito da animação que teve o ano passado”. 
FONTE: LAVOURA e COMÉRCIO - 22 DE FEVEREIRO DE 1900, p. 01
 

FONTE: LAVOURA e COMÉRCIO - 22 DE FEVEREIRO DE 1900, p. 01

ENTRUDO

“No meio da mais franca alacridade, risos e rejubilações, surgiu entre nós, o tradicional jogo do entrudo, fazendo estar alerta os que se atiram a esse pugilato, inofensivo e amigo. Dizemos pugilato, porque não é elle mais que íntima e alegre batalha, em que pessoas amigas , encontrando-se , trocam renhidamente entre si, ora uma nuvem de confetes ou  serpentinas douradas, de pétalas ou corolas, ora uma fricção aromada, com o mesmo ardor, às vezes, do soldado que troca balas na arena de combate. Essa luta tem os encantos da meiguice. Ela se empenha nos limites onde reina a amizade, a união e a confiança. Nestes dias que atravessamos a pessoa  que subir à rua  , passando perto de um sortimento de confetes  e serpentinas, não poderá ficar magoada ou se enfiar com o fato de em se lhes atirando , esses microscópicos  corpos lhe salpiquem a veste ,(.....) os cabelos , pondo-lhe em ligeira confusão. 
São coisas da época, essa pandega, esse garrídico, esse jubilo enfim que se comunica e invade a alma popular.
São coisas da época, essa pândega, esse garrídico, esse júbilo, enfim, que  se  comunica, e invade a alma popular.No Alto dos Estados Unidos e em algumas ruas da cidade temos notado já bem folgazão o travesso, o Entrudo.
No theatro, as senhoritas vitimas deste inofensivo ataque hão de ter recebido com muchas gracias a fuzilaria quese lhes dirige freneticamente.
Que se continue neste folguedo”.
FONTE: LAVOURA E COMÉRCIO, 30 DE JANEIRO DE 1902,p. 02


UMA NOITE DE CARNAVAL

“Carnaval – espancando a monotonia da nossa triste Uberaba, um grupo de foliões carnavalescos percorreu anteontem diversas ruas da cidade em animado e retumbante Zé Pereira, que era acompanhado da banda de música dos Retrancas.
Em frente à nossa redação, o alegre Grupo União ergueu vivas ao Lavoura e aos seus redatores , indo parar em frente ao Hotel do Commercio, onde dançaram um esbodegante catira. Consta-nos que esses destemidos carnavalescos organizam para hoje novo e atroador Zé Pereira”.
FONTE: LAVOURA E COMÉRCIO,  26 DE FEVEREIRO DE 1905, p. 01
 
LAVOURA E COMERCIO, 11 DE MARÇO DE 1906, EDIÇÃO 696, p. 04



O CLUB DOS FENIANOS
FONTE: LAVOURA E COMÉRCIO. 06 FEVEREIRO DE 1916, p. 02

- À frente “acha-se agora o incançavel moço sr. Randolpho Rocha
- O sr. Randolpho Rocha começará a agitar desde o proximo domingo  o entusiasmo para o carnaval, organizando para esse dia um retumbante e espalhafatoso Zé- Pereira que sairá do teatro São  Luiz.
- Para auxiliar as despesas que não são pequenas , do carnaval, promove-se uma brilhante quermesse  para o dia 13 do corrente no jardim da praça da Matriz. 
- Pela comissão compostas dos srs.(....) encarregada de angariar prendas já foram distribuídos muitos pedidos  às senhoritas uberabenses . Estas receberam da melhor forma o pedido, o que nos leva a crer que a quermesse  terá centenas de dádivas  primorosas.
- O jardim vai ser enfeitado para esse fim, e realçado pelo comparecimento das três bandas musicais locais.

- É possível que se cogite de uma batalha de confete  para depois de leilão de prendas.
FONTE: LAVOURA E COMÉRCIO. 06 FEVEREIRO DE 1916, p. 02



 BANDAS : CARLOS GOMES, ITALO BRASILEIRA E 4º BATALHÃO DEPOIS DA QUERMESSE HAVERÁ BATALHA DE CONFETE


- o povo aglomerou-se na praça da Matriz, onde se fez a quermesse.
- a quermesse rendeu oitocentos e poucos mil réis.
- a elegante sociedade uberabense se achava representada.
- Os Fenianos, já contrataram a confecção de numerosos carros alegóricos. Da confecção se encarregaram (...) artistas esperando-se que as alegorias surpreendam pela delicadeza e originalidade da concepção.
- Além dos carros do Club, haverá muitos particulares. Para estimular as pessoas que queiram apresentar-se em carros bem ornamentos ou alegóricos, os Fenianos vão oferecer um prêmio ao que for considerado o mais bello.Será  também dado  um prêmio ao máscara que exibir a mais rica fantasia.
LAVOURA E COMÉRCIO, 13 DE FEVEREIRO DE 1916, p. 02



“ - Correram muito alegres na cidade, os três dias de carnaval. A Rua Artur Machado foi o teatro de verdadeiros combates épicos de confetes e lança-perfumes.
- A rua tornou-se quase intransitável”.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Assassinato, escravidão, crendices e acusações de bruxaria contra as mulheres em Uberaba foram notícias em 5 jornais dos EUA em 1875

Um crime ocorrido no ano de 1875 em Uberaba foi noticiado em pelo menos cinco jornais dos Estados Unidos naquela época. Tratava-se de um famoso assassino conhecido como Quarentinha, que queria se vingar de uma escrava negra da qual a acusava de bruxaria. Confira na íntegra, a tradução do que dizia a matéria sobre o crime:


"O célebre assassino conhecido como Quarentinha, que por muitos anos foi o terror de Uberaba no Brasil, acabou sucumbindo às mãos de um mero jovem.

Um membro da família de Quarentinha sofria com uma doença vulgarmente conhecida como "fogo selvagem”. A ele foi dito que tal doença foi causada por um feitiço de uma escrava negra de um vizinho.

Para capturar a negra, carregá-la para sua casa e açoitá-la para então a queimar viva, foi para Quarentinha um trabalho de poucas horas. O senhor da negra se encaminhou para a cena do crime, acompanhado de um individuo para implorar pela vida da mulher. Quarentinha respondeu que a queimaria, pois ela era uma bruxa.

 Contrário ao seu costume de regressar a casa, o assassino deu as costas para os visitantes. O jovem que acompanhava o senhor dono da escrava, aproveitou-se da oportunidade, adiantou-se contra o assassino e o apunhalou duas vezes com uma adaga e, subsequentemente, o matou com uma espingarda".

Toda a cena de sangue e vingança acabou-se em um minuto".


* Estas fontes foram encontradas por André Borges Lopes