quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Outras igrejas, abandono e urbanização levaram à derrubada da Igreja do Rosário em 1924

Por Luiz Alberto Molinar


A Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Uberaba foi derrubada, em 1924, por não haver manutenção por parte da Cúria Metropolitana. Estava em ruínas. Uma restauração seria dispendiosa. A demolição ocorreu a pedido do então agente executivo (prefeito à época),o progressista Leopoldino de Oliveira (Coligação Uberabense), também deputado federal no período. Nos últimos anos de sua existência, se realizava na igreja somente a comemoração do Dia da Abolição, o 13 de Maio, relatou o memorialista e religioso católico Carlos Pedroso. 


Escadaria de acesso à Igreja do Rosário, fundada em 1841 e derrubada em 1924      

Era usual, durante o Império, ao se iniciar um vilarejo a construção de duas igrejas: uma para brancos e outra para negros. Portanto, a principal foi erguida no Largo da Matriz, a pç. Rui Barbosa na atualidade, onde surgiu o primeiro povoamento do lugar e se concentrou comércio, prestadores de serviço e moradias. 
Parte da visita traseira da Igreja Nossa Senhora do Rosário em Uberaba. Fonte: CAPRI, Roberto. Álbum Uberaba a Princesa do Sertão, 1916.

As ruas Coronel Manoel Borges e Vigário Silva, que eram a mesma via e conhecidas como rua Grande por se iniciarem próximo da av. Deputado Marcus Cherém e ir até a av. Alexandre Barbosa. A r. do Commercio, hoje Artur Machado, existia, por volta de 1880, até seu terceiro quarteirão. Dali em diante era deserto.

Foto do final do século 19, do alto do Morro da Onça, autoria de José Severino Soares  

A “Igreja dos Pretos” localizava-se três quadras à frente em área afastada do burburinho da vila. Sua construção realizou-se com mão-de-obra escrava, como era comum em relação aos santuários de devoção de negros, aberta em 1841. Era no Alto do Rosário, agora bairro Estados Unidos, no Largo do Rosário, atualmente av. Presidente Vargas, no meio do morro, com sua frente direcionada para o então final da r. do Commercio.


Santa Rita, São Domingos e Mogiana “ajudaram” a derrubar Rosário
Com o surgimento da Igreja Santa Rita em 1854, a três quarteirões da do Rosário, e da São Domingos 50 anos depois, a duas quadras, o santuário do povo negro foi perdendo frequentadores. Por isso, a Cúria deixou de mantê-lo, provocando sua decadência. 
O início da operação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro em Uberaba a partir de 1889, com a estação instalada no alto da r. do Commercio, provocou a urbanização no entorno da Igreja do Rosário, que se encontrava em ruínas. Consequentemente, o então “prefeito” Leopoldino de Oliveira se viu obrigado a propor a demolição do templo. A via, portanto, passou a ter passeios largos. Em meados do século 20, uma ilha foi construída com jardim e palmeiras imperiais. Desde 2006 há no local monumento de reverência a Zumbi dos Palmares, importante líder negro abolicionista.

Imigrantes sírios e libaneses ajudaram a erguer a Igreja São Benedito
As comunidades síria e libanesa, nos anos 1930 e 1940, concentravam suas atividades comerciais no bairro Estados Unidos, na r. Padre Zeferino, desde seu início até a r. Artur Machado. Era conhecida como a “Rua dos Turcos”. 
Por utilizarem, praticamente, somente o idioma árabe, esses imigrantes se fecharam e havia dificuldade em se relacionar com a sociedade. Além disso, sírios e libaneses eram falados na cidade por moças: elas tinham medo deles. Diziam que presenteavam suas namoradas e esposas com joias caras, mas que batiam nelas, revelou o memorialista Pedroso.
Como forma de romper o isolamento, propuseram à Cúria Metropolitana ajudar a edificar a Igreja São Benedito, outro santo de devoção por povos de descendência africana. Seria uma forma de compensar a demolição da igreja do Rosário. A pç. da Bandeira, que depois denominou-se Dr. Jorge Frange, foi o local escolhido. A inauguração se deu em 1961, 34 anos após a derrubada da do Rosário. Nova basílica foi implantada no local em 1978, em formato circular, em substituição à primeira que tinha arquitetura tradicional.
O bairro, que passaria a levar o nome da igreja, já era reduto das duas nacionalidades e de seus descendentes. Até então a região era conhecida por Colina da Matriz. No local também estava instalada, na r. Major Eustáquio, desde 1927, a Sociedade Sírio Libanesa, que passaria, nos anos de 1990, a denominar-se Clube Sírio-libanês.


*Luiz Alberto Molinar é jornalista e coautor da biografia Lucilia – Rosa Vermelha.
  



terça-feira, 29 de agosto de 2017

Artigo: DA PRESERVAÇÃO DIGITAL AO ACESSO À INFORMAÇÃO: uma breve revisão


Por Daniel Flores e Henrique Machado dos Santos* 

Resumo: O constante aumento de documentos digitais vem impulsionando as práticas de preservação em longo prazo. No entanto, a literatura técnica concentra-se em preservar a autenticidade dos registros, e por vezes, há pouco aprofundamento no que se refere a proporcionar condições de acesso aos usuários. Assim, realiza-se uma análise sobre as estratégias de preservação digital com ênfase na perspectiva de acesso aos usuários. O método utilizado consiste no levantamento bibliográfico de materiais previamente publicados, dentre estes: livros, teses, dissertações e artigos científicos recuperados pela ferramenta de pesquisa Google Scholar. Desta forma, obtém-se uma revisão dos métodos de preservação digital que realça sua aplicabilidade e aponta as dificuldades de acesso pertinentes ao usuário.

Palavras-chave: Acesso à informação; Documentos digitais; Preservação digital; Usuário






* Henrique Machado dos Santos - mestrando do Programa de Pós-Graduação Profissional em Patrimônio Cultural da UFSM e integrante dos grupos de pesquisa CNPq-UFSM: Gestão Eletrônica de Documentos Arquivísticos (GED/A) e Patrimônio Documental Arquivístico (PDA). 

* Daniel Flores - Doutor pela Doutor em Documentação pela USal, concluiu o Doutorado em "Metodologías y Líneas de Investigación en Biblioteconomía y Documentación" - Universidad de Salamanca/España.  Docente do Curso de Arquivologia da UFSM. Docente do Mestrado Prof. em Patrimônio Cultural/UFSM Lider do Grupo de Pesquisa CNPQ: Patrimônio Documental Arquivístico Lider do Grupo de Pesquisa CNPQ: GED-Gestão Eletrônica de Documentos Arquivísticos Coordenador do Laboratório de Documentos Digitais/LDD e de Preservação Digital/LPD/CCSH Membro Presencial da CTDE - Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do CONARQ.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

1906: Discussões sobre o Convênio de Taubaté em Uberaba


Convênio de Taubaté de 1906 foi firmado um acordo pelo Governo Federal para proteger a produção brasileira de café, que passava por um momento crítico, de preços baixos e prevendo a colheita de uma safra recorde.

            Ocorre que a demanda pelo produto no exterior permanecia estável, nessa época. Contudo, a produção no Brasil aumentava, motivada pela disseminação, desde o século XIX, da ideia de que o café era tão rentável quanto o ouro. Assim, apesar das exportações manterem-se intocáveis, muitos fazendeiros ainda invertiam capitais na plantação dos arbustos de café em suas fazendas.

            Isso provocou uma queda vertiginosa do preço do produto no exterior devido à superprodução. Para evitar uma queda ainda maior, o Governo resolveu intervir, adquirindo sacas de café, acreditando que o mercado fosse se estabilizar. Apesar disso, a produção aumentava e mais sacas eram armazenadas. Mesmo não tendo o seu produto exportado (comercializado), os cafeicultores recebiam normalmente por cada saca produzida em sua lavoura.

            Para pagar o excedente armazenado, o governo recorria a empréstimos no exterior. A dívida externa provocada por essa situação era coberta por meio do aumento do custo de vida e da inflação. Com isso, a população pagava aos agricultores por um produto que seria queimado. Nessa época, dominava no Brasil a política do café com leite, no qual políticos de São Paulo e de Minas Gerais se revezavam no poder do Governo Federal. Portanto, uma crise regional acabou se tornando uma crise nacional.

            Essa situação durou até o ano de 1930, quando Vargas assumiu o poder e pôs fim à política que engendrou o Convênio de Taubaté. Isso criou um conflito com o Estado de São Paulo, que desejava manter os empréstimos com os bancos estrangeiros, para saldar as dívidas com a superprodução cafeeira, motivando a Revolução Constitucionalista em 1932.

            O Convênio de Taubaté foi firmado em 1906 e a Câmara Municipal de Uberaba, através dos políticos afiliados ao PRM, aprovaram a decisão do governo federal, numa prova de que mantinha-se fiel à política do café com leite.


              Em debates realizados na Câmara Municipal de Uberaba foi discutido a aprovação do Convênio de Taubaté, mostrando o alinhamento da política local com o grande acordo nacional firmado em torno das oligarquias brasileiras.


Confira abaixo, a íntegra transcrita de toda essa discussão:  


ATA DA CÂMARA DE 9 DE MAIO DE 1906
A Câmara de Uberaba aprova o Convênio de Taubaté

Sessão: ordinária

Aos sete dias do mez de maio de mil novecentos e seis, na sala das deliberações da Câmara Municipal, a hora regimental, verificou-se o comparecimento dos vereadores senhores Manoel Terra, Gustavo Ribeiro, Manoel Caldeira Junior, Doutor Thomaz Pimentel de Ulhoa, Delcides de Carvalho, Monsenhor Ignácio Xavier, Militino Pinto de Carvalho, Arthur Machado, Herculano Velloso, João da Silva Prata e Manoel Borges de Araújo, faltando com causa justificada o vereador Luiz de Oliveira Ferreira. Foi aberta a sessão, lida e approvada a acta da sessão anterior, occupando o logar de secretário, interinamente, o vereador Gustavo Ribeiro.

Expediente

Constou do seguinte: Uma proposta assignada pelo cidadão Antonio Ribeiro no qual se offerece ao abastecimento de carnes verdes a população d'esta cidade, mediante contracto com a Câmara, compromettendo-se a fornecer carne vinte e cinco por cento por menos dos preços actuaes e a abater somente bois.


A Comissão de Leis.

Uma Communicação assignada pelo cidadão Armando Velloso de Queiroz fazendo sciente à Câmara que o caminho desta cidade que vae ao Garimpo das Alagoas, no ponto denominado Lemes, acha se intransitável e pede providências à respeito. A Commissão de Finanças.
Indicação apresentada pelo vereador Gustavo Ribeiro nos seguintes termos: Projecto de lei nº ... Que auctoriza o Agente Executivo Municipal a venda, em hasta pública, o próprio municipal onde funcionava o Instituto Zootechinco. O povo do municipio de Uberaba, por seus vereadores, votou e eu, em seu nome, promulgo e faço executar a seguinte lei: Artigo 1º - Fica o agente executivo municipal auctorizado a vender em hasta pública, nunca, porém, por menos de 20:000$000 e a quem mais der o próprio municipal onde funccionou o Instituto Zootéchnico. Artigo 2º O produto da venda será exclusivamente applicado à amortização da dívida passiva municipal. Artigo 3º Revogam-se as disposições em contrário. Sala das sessões da Câmara Municipal de Uberaba, 7 de maio de 1906. Gustavo Ribeiro. Às Commissões de Leis e Finanças. Uma indicação assignada pelo vereador João da Silva Prata para que seja auctorizado o agente executivo municipal a mandar proceder estudos e abastecer o povoado de Conceição das Alagoas, de água potável e por meio de aríetes ou carneiros hydraulicos, visto que, embora já tinha sido approvado, há tempos, o serviço por meio de rego e e até já existir contracto com pessoas competentes para a realização do mesmo, até esta data não foi elle iniciado, pedindo urgência sobre essa deliberação visto que a população sofre necessidade do precioso elemento em sua justa reclamação. A Commissão de Finanças.

Indicação remettida à mesa e assignada pelos vereadores Gustavo Ribeiro e Arthur Machado, nos seguintes termos: Indicamos que, por intermédio do senhor presidente da Câmara Municipal, seja dirigida ao exmo. senhor Dr. Presidente do Estado uma representação mostrando a inadiável conveniência de ser Uberaba sede de um dos batalhões policiais que o Governo projecta crear, senão, de novamente, transferir o 2º corpo que já aqui estacionou, o que assaz, se justifica pela necessidade de policiamento de uma zona vasta como o Triângulo e de uma cidade importante como Uberaba, que se acham sem quem quasi os defendam na vida e na propriedade e que o senhor Presidente da Câmara, para melhor êxito n'esse pertinente, se dirija sobre o mesmo fim aos dignos membros da nossa representação na Câmara Federal para que egualmente nos auxiliem na obtenção de tão justa e urgente medida administrativa. Sala das deliberações da Câmara, 7 de maio de 1906, Gustavo Ribeiro, Arthur Machado.

Acto contínuo foi esta indicação sujeita à discussão e votação, sendo, sem debate, unanimemente approvada, [tendo o senhor presidente, em comprimento à approvação da mesma, convertido o assumpto em telegrama e transmitido ao coronel João Quintino e, em egual theor, às redacções do Paiz e Jornal do Commercio.

Em seguida, pedio a palavra o vereador monsenhor Ignácio Xavier e lembrando à casa achar-se bastante enfermo o illustre vereador e secretário da Câmara Luiz de Oliveira Ferreira, indicou para que fosse nomeada uma Commissão para visitar o mesmo vereador. Acto contínuo, o senhor presidente nomeou para aquelle fim os vereadores Monsenhor Ignácio e Gustavo Ribeiro.

Usou também da palavra o vereador Gustavo Ribeiro e disse que, cumprindo um dever, vinha provocar da parte d'esta illustre corporação uma das questões de maior gravidade que se passa actualmente no Paiz, e referindo-se ao Convênio de Taubaté, fez um bello discurso no qual, depois de largas considerações, fez ver que as Câmaras Municipais não devem ficar indiferentes a isso por se tratar de assumpto que muito se prende a lavoura, apresentou e leu a seguinte indicação: "A Câmara Municipal de Uberaba, compenetrada de seus deveres; certa de que urge, agora, que começam os trabalhos legislativos do Congresso Nacional, tomar conhecida a vontade da nação sobre a sua magna questão economica, objetto digno de estudo e de máxima detenção, principalmente no actual momento histórico da dita sua questão economica; sendo da maior significação que essa vontade se manifeste pelos canais competentes, o que, incontestavelmente é o pronunciamento por meio das Câmaras Municipaes que, mais em contacto com o povo, também mais directa e positivamente poderá tradusir seu pensamento para dar cumprimento a tão grande como sagrado dever, por intermédio de seu directo representante na Câmara dos senhores deputados federais, e exmo. senhor coronel João Quintério Teixeira, para que, por sua vez, se digne transmittir aos seus illustres companheiros de bancada, que a Câmara Municipal de Uberaba, tendo tomado conhecimento do plano economico e da reorganização financeira de nossa lavoura, contidos no que se accordou chamar Convênio de Taubaté- O acceita em sua integridade, fazendo votos pela sua approvação pelos altos poderes legislativos da nação, a fim de que elles, como devem, forneçam à lavoura os meios de se salvar da ruina que o ameaça, ella que é a base exclusiva da nossa riquesa pública, e, portanto, a única indústria que dá ao Brasil os meios de viver independentemente e pertencer ao convivio das nações civilizadas. Sala das deliberações da Câmara Municipal, 7 de Maio de 1906, Gustavo Ribeiro.

Acto contínio, o senhor presidente poz em discussão esta indicação e, não havendo quem sobre a mesma pedisse a palavra, submetteu-a a votação, sendo approvada contra os votos dos vereadores Monsenhor Ignácio Xavier, Delcides de Carvalho e Manoel Caldeira Júnior. Pedio também a palavra o vereador Militino Pinto de Carvalho e disse que já era tempo de tratar-se de embellesar a nossa cidade e que os senhores proprietários são por enquanto os únicos que nos podem auxiliar, já com as construcções novas e já com as reconstruções, e, citando exemplos de outras cidades, terminou apresentanto o seguinte projecto de lei: Regula o typo de construções civis urbanos e suburbanas desta cidade. Artigo 1º Ficam terminantemente prohibidas as construções particulares na área urbana e suburbana da cidade, sem que obedeçam a um typo estabelecido pela secção de Obras públicas da Câmara. Artigo 2º Para a effectividade e regularidade da medida proposta no artigo 1º, o senhor agente executivo municipal mandará organizar typos diversos de contrucções, tendo em vista a elegância dos prédios, conforme as praças e ruas nos quais forem construídos. Artigo 3º. Nas reconstrucções dos prédios existentes na cidade serão observados as disposições d'esta lei, após a sua sancção. Artigo 4º. O senhor agente executivo, dentro da verba - obras públicas - tirará os necessários recursos para occorrer as despesas com a organização das plantas que serão feitas por pessoa competente n'esta matéria. Artigo 5º. Ao pedido de licença para construções ou reconstrucções deverá acompanhar uma planta da nova obra de accordo com as exigências dos typos de prédios organizados pela Câmara Municipal de Uberaba, 7 de Maio de 1906, Militino Pinto.


A Commissão de Obras Públicas


Nada mais havendo a tratar-se e nenhum vereador pedindo mais a palavra o senhor presidente encerrou os trabalhos por hoje e convidou os vereadores presentes a comparecerem amanhã, à hora regimental. Para constar lavrei a presente acta que, depois de lida e approvada será assignada. Eu, Justino de Carvalho, director da secretaria, a escrevi. Eu, Gustavo Ribeiro, secretário interino, a subscervi e assigno.

Addendo: Nas linhas 21, 22,23 e 24 da página 51 ficão sem effeitos os dizeres que estão escriptos dentro da chave [...]
Na linha 17º da página 51 verso, onde diz: " Não havendo quem sobre a mesma, etc. deve-se acrescentar:- Pedio a palavra o vereador Monsenhor Ignácio Xavier e disse que não apoiando elle o Convênio de Taubaté, por não achar n'elle vantagem alguma para o paiz, votava contra a indicação. Finda a discussão, o senhor presidente a submeteu à votação, sendo approvada contra os votos dos vereadores Monsenhor Ignácio Xavier, Caldeira Júnior e Delcides de Carvalho.

Acto contínuo, o senhor presidente em cumprimento a referida approvação, converteu o assumpto da dita indicação em telegramma e trasmittio-o ao Coronel João João Limirio e, em egual theor, às redações do Paiz e Jornal do Commercio. (Continua na linha 20 da folha 51 verso).


Secretário:    Gustavo Ribeiro
Livro: 5         Páginas   51 v  a  52


Pesquisa, transcrição de fontes e resenha introdutória: Luiz Henrique Cellulare, historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba


Documentos originais:






terça-feira, 22 de agosto de 2017

Alunos da Escola Estadual Ricardo Misson visitam a Superintendência do Arquivo Público


No dia 22 de agosto, professores e trinta e cinco alunos de 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Ricardo Misson vieram conhecer a sede da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.

O historiador e educador Luiz Henrique Cellulare realizou uma dinâmica lúdica com as crianças e apresentou um vídeo sobre a história de Uberaba.


Em seguida foi realizada uma visita guiada pelas dependências do Arquivo, onde os estudantes puderam conhecer diferentes gêneros de documentos (fotografias, mapas, gravações, vídeos, textuais...) e a importância dos mesmos para a memória, história e a identidade de uma comunidade. Também aprenderam como manusear, conservar e preservar os documentos históricos.





sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Historiador da Superintendência do Arquivo Público participa de curso de Gestão de Documentos Digitais em São Paulo


No dia 12 de agosto, o historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba Thiago Riccioppo, participou em São Paulo do curso sobre "Gestão Eletrônica de Documentos Digitais - GED", promovido pelo grupo Apoio Ged. O curso foi ministrado pelo pesquisador e arquivista Pablo Soledade.

O curso de 8 horas teve como propósito apresentar novas tecnologias de mercados sobre softwares, equipamentos e a prática da digitalização de documentos e organização de arquivos digitais.

Também houve a discussão de temáticas voltadas a legislação arquívista como a  Resolução nº 43 do CONARQ - Conselho Nacional de Arquivos, de 04 de setembro de 2015, que estabelece as diretrizes para implementação de repositórios digitais confiáveis para transferência e recolhimento de documentos digitais para instituições arquivísticas dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Arquivos - SINAR.


Segundo Thiago Riccioppo, os conhecimentos adquiridos no curso foram muito importantes e serão apresentados a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e irão contribuir no desenvolvimento de processos de trabalho da equipe.

Participantes do curso de Gestão Eletrônica de Documentos e Organização de Arquivos Digitais realizado em São Paulo com professor Pablo Soledade, o primeiro a esquerda.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Superintendência do Arquivo Público convida escolas para participarem de ações educativas

A Superintendência do Arquivo Público de Uberaba desenvolve várias ações de divulgação do acervo e da história do município e convida as instituições de ensino para participarem das Ações Educativas/Diálogos entre a história, a educação e a cultura.

Marta Zednik de Casanova, superintendente do Arquivo Público de Uberaba, comenta que dentre as atividades fundamentais desenvolvidas na autarquia destacam-se as Ações Educativas. Estas têm como objetivos valorizar a história do município e fortalecer o sentimento de identidade de crianças, adolescentes e jovens que participam das visitas monitoradas, desenvolvidas pela instituição. “As ações estimulam a curiosidade, o diálogo, a valorização e o reconhecimento da importância da preservação documental e das referências históricas. Desenvolvem, também, conteúdos de Educação Patrimonial”, diz.

A Visita Monitorada é composta de dois momentos: acesso à história da instituição, por meio da interação com o acervo documental histórico e dos órgãos da Prefeitura, além da exibição dialogada de um filme sobre a história de Uberaba.

As Ações Educativas oportunizam para a comunidade escolar, “Encontros de Formação para os Docentes” e visitas temáticas para os estudantes, abordando e discutindo conteúdos da história do Município.

As instituições de ensino, inclusive de cidades da região, que tiverem interesse em visitar a Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e conhecer o acervo documental e a história de Uberaba devem agendar, previamente, a visita monitorada, no período matutino (Luiz Henrique Cellurale) e vespertino (Luzia Rocha) nos seguintes telefones: (34) 3338-2864 e 3312-4315 ou pelo e-mail: arquivouberaba@yahoo.com.br

FACEBOOK: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba

Secom Prefeitura de Uberaba

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

15 de agosto: Dia de Nossa Senhora da Abadia, a santa padroeira de Uberaba (Breve histórico)


NOSSA SENHORA D’ ABADIA

15 DE AGOSTO

Imagem de Nossa Senhora D'Abadia, santa padroeira de Uberaba.
Igreja Nossa Senhora da Abadia. Década de 1920. Fonte: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


A festa religiosa de Nossa Senhora d’Abadia reflete a devoção popular a essa Santa, que é padroeira de Uberaba e protetora do povo. A religiosidade do uberabense também se encontra expressa nessa manifestação fervorosa.

A devoção a Nossa Senhora d’Abadia teve origem nas imediações da cidade de Braga, Portugal, e remonta ao Século XII. No Brasil o culto aos santos é uma tradição trazida de Portugal.Com a expansão colonial portuguesa no século XVI foi difundido nas regiões colonizadas.

No Brasil, o culto à Santa iniciou na Bahia e chegou a Uberaba tendo passado por Muquém (Goiás) e Água Suja (Triângulo Mineiro).  



A devoção popular a Nossa Senhora daAbadia iniciou em Uberaba com a construção de uma capela, no Alto da Misericórdia (atual Alto da Abadia), em 1881. Por intermédio do Capitão Eduardo José de Alvarenga Formiga e com o aval da Câmara Municipal, em 11 de agosto de 1881, foi concedida a licença para erigir a capela no Alto da Misericórdia.


    
Igreja Nossa Senhora da Abadia. Década de 1920. Fonte: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba


Igreja Nossa Senhora da Abadia na década de 1950. Fonte: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


A primeira missa foi celebrada em 15 de agosto do mesmo ano pelo Cônego Santos, diante de um cruzeiro, levantado no local onde, futuramente, seria construída a capela. Um ano após, em 15 de agosto de 1882, a imagem da Santa foi benta e realizou-se a primeira festa em homenagem a Nossa Senhora da Abadia.

A capela foi entregue, em 1899, aos padres Agostinianos Recoletos que permaneceram no Santuário até 1915. No dia 16 de julho de 1921, por meio de um decreto de Dom Eduardo Duarte e Silva, foi criada a paróquia de Nossa Senhora da Abadia, desmembrada da primeira paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Desejoso de entregar o Alto da Abadia a um Instituto Religioso, o Sr Bispo Dom Frei Luiz Maria Santana convidou os Padres Estigmatinos a aceitarem a missão. Hoje o Majestoso Santuário é administrado pelos Missionários Estigmatinos.

Nossa Senhora d’Abadia é venerada por milhares de fiéis, durante todo ano, especialmente na primeira quinzena de agosto.
No ano de 2007, ano do centenário da Arquidiocese de Uberaba, Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo Metropolitano, houve por bem decretar Nossa Senhora d’Abadia como padroeira principal da cidade de Uberaba.

Também o Município de Uberaba, por suas autoridades competentes, através da Lei nº 10.196 de 14/08/2007, instituiu Nossa Senhora d’Abadia como a Padroeira da cidade de Uberaba. 

Igreja da Abadia durante noite da super lua. Imagem: Hermínio Pires, 2014.



Texto: Marta Zednik de Casanova - Superintendente do Arquivo Público de Uberaba

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

As valiosas mangueiras de Alexandre Barbosa


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No peculiar texto publicado em 1916 no álbum: Uberaba: a Princesa do Sertão, organizado por Roberto Capri, é apresentada a interessante produção de mangas do engenheiro agrônomo uberabense Alexandre Barbosa.  

No bairro Mercês, às margens da antiga rua Cassu, no entorno onde hoje é a rua que leva seu nome, Alexandre Barbosa cultivava mais de 3000 árvores de inúmeras variedades de manga, nas terras que eram chamadas de Chácara das Mangas. As mangas de Alexandre Barbosa, como diz o texto, eram vendidas em mercados do Rio de Janeiro e São Paulo. Além das frutas, eram distribuídas mudas da espécie. É importante dizer que, desde o final do século XIX,  os triangulinos rumavam a Índia à busca de importar o gado Zebu, a exemplo de  Teóphilo de Godoy, Armel Miranda, Ângelo Costa, João Martins Borges, Alberto Parton, Quirino Pucci, Josias Ferreira de Morais, entre outros que nos anos posteriores a 1916, seguiriam o destino da distante colônia inglesa da Ásia.

Em meio a demais novidades, os importadores de Zebu traziam em sua bagagem, mudas de mangas para Alexandre Barbosa que ainda não eram produzidas no Brasil, o que faria de seu pomar um dos viveiros mais diversificados do país da saborosa fruta. Até hoje ao passar pela rua Alexandre Barbosa, é possível observar em suas laterais algumas mangueiras remanescentes daquela época. Nesse espaço, ele também desenvolveu novas variedades da manga.



 Mas quem foi Alexandre Barbosa?
             
 Alexandre Barbosa era engenheiro agrônomo, tendo se graduado no Instituto Zootécnico de Uberaba em 1898. Essa foi primeira escola de ensino superior fundada no Triângulo Mineiro.


Alexandre Barbosa. Fonte: Lavoura e Comércio. s/d


Nesta única turma do Instituto Zootécnico de Uberaba, estudaram com Alexandre Barbosa, outras proeminentes figuras do cenário político, intelectual e social de Uberaba, como: Hidelbrando Pontes, Fidélis Reis, José Maria dos Reis e Militino Pinto de Carvalho.

A referência na formação desta brilhante turma foi o diretor e professor do Instituto Zootécnico, Frederich Draenert. Alemão de Weimar, Draenert mudou-se para o Brasil em 1855 quando foi contratado pelo Barão de Paraguassu (Cônsul Geral do Brasil em Hamburgo) para educar os filhos de um dono de engenho na Bahia. Foi professor da Escola técnica da Bahia que ajudou a criar em 1877. Em 1889 foi nomeado consultor técnico do Ministério da Agricultura e, em 1896, chamado para dirigir o Instituto Zootécnico de Uberaba. Escreveu inúmeros artigos científicos, motivo pelo qual teve reconhecimento internacional

  Nas primeiras décadas do século XX Alexandre Barbosa familiarizava-se com o Anarquismo. Nos anos de 1920 integrou-se ao comunismo. Correspondeu com jornais internacionais como L´Humanité na França e produziu inúmeros artigos na imprensa uberabense. Barbosa também foi autor do mais completo dicionário da língua Caiapó que se tem notícia, segundo pesquisas do antropólogo Odair Giraldin. Este pesquisador, professor da Universidade Federal de Goiás, encontrou o dito documento por acaso no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), datado de 1918. O documento produzido por Alexandre Barbosa possibilitou um inédito estudo sobre o assunto. Cf. GIRALDIN, Odair. Cayapó e Panara: luta e sobrevivência de um povo. 1994. 208 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994.



Por Thiago Riccioppo:
 Mestre em História pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU, historiador da Superintendência do Arquivo Público de Uberaba e Gerente Executivo da Fundação Museu do Zebu Edilson Lamartine Mendes.


Fontes:


CAPRI, Roberto. Uberaba: a princesa do Sertão.  São Paulo: Capri, Andrade & C. Editores, 1916.


GIRALDIN, Odair. Cayapó e Panara: luta e sobrevivência de um povo. 1994. 208 p. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994.

MACHADO. Sonaly. História do Instituto Zootécnico de Uberaba: uma instituição de educação rural superior (1892-1912). 2009. 232 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2009.

RICCIOPPO FILHO, Plauto. Ensino Superior e Formação de Professores em Uberaba/MG (1881-1938): uma trajetória de avanços e retrocessos. 2007. 508 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Mestrado em Educação, Universidade de Uberaba, Uberaba, 2007.